Tema econômico das eleições, endividamento cresceu sob Lula e sob Bolsonaro
Enquanto o total de famílias inadimplentes cresceu 12% no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na gestão de Jair Bolsonaro (PL), esse número avançou 35%, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A entidade considera inadimplentes as famílias com dívidas não pagas no mês da pesquisa.
O levantamento da CNC é feito em capitais do País e no Distrito Federal. Em números absolutos, ele aponta que hoje há 5,5 milhões de famílias inadimplentes. No fim do governo Bolsonaro — gestão marcada pela pandemia —, eram 4,9 milhões e, no fim da presidência de Michel Temer, 3,6 milhões.
Em dezembro de 2015, na gestão Dilma Rousseff, o percentual de famílias inadimplentes era de 23,2%. O número caiu para 22,8% em dezembro de 2018, no governo Michel Temer. Com Bolsonaro, subiu para 30% em dezembro de 2022 e, com Lula, caiu para 29,6% em setembro deste ano.
Pelos dados da Serasa, que adota outra metodologia e considera números de CPFs — não de famílias —, o total de pessoas inadimplentes saiu de 59 milhões em 2016, chegou a 59,7 milhões em 2018, subiu para 65,2 milhões em 2022 e alcançou 84 milhões neste ano. Sob esta ótica, o aumento na gestão Lula foi de 21% e, na de Bolsonaro, 11%.
Segundo especialistas, como o problema não foi enfrentado de maneira adequada ao longo do tempo, o endividamento se tornou um tema central desta eleição.
As políticas de expansão do crédito e os juros altos causaram o aumento do endividamento e da inadimplência , como mostrou o UOL . Mas há fatores estruturais, diz o cientista político do Insper Carlos Melo, por trás do problema. Entre eles, um dos principais é o crescimento econômico do país baseado na alta do consumo, e não na produtividade.
Vamos investir em produtividade, em crescimento sustentável? Isso não houve no Bolsonaro e no Lula. Houve opção lá atrás de o Brasil crescer quase que exclusivamente pela via do consumo. Nenhum governo se preocupou com isso. Carlos Melo, cientista político
Essa política, afirma ele, foi mantida tanto por governos do PT quanto por Temer e Jair Bolsonaro. Um fator adicional do endividamento foi a chegada das "bets", as casas de apostas online, que Melo atribui à gestão do PL, numa fase sem regulamentação, e do PT, numa fase com regulação considerada insuficiente.
O cientista político lembra que muitas dívidas são contraídas durante um governo, mas a inadimplência só aparece nos seguintes. A Serasa indica que, dos atuais 84 milhões de inadimplentes, 42% estão nessa situação desde antes de 2016.
Para o professor, o endividamento das famílias virou um problema sério e uma questão político-partidária, sobre a qual se procura um "dono" ou um culpado. "Quem é o dono desse problema? É o endividamento das pessoas, que estão preocupadas. O político que falar para elas que tem a solução vai levar o voto", afirma Melo.
Os dados da CNC mostram ainda que o endividamento das famílias cresceu 16% durante o governo Lula. A inadimplência, porém, avançou em ritmo menor (12%).
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