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Como data centers dos EUA viraram motor da 'fábrica de bilionários' no Brasil

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Como data centers dos EUA viraram motor da 'fábrica de bilionários' no Brasil

Transformador da WEG; equipamentos como este puxaram as vendas da empresa nos Estados Unidos

A WEG, multinacional de Santa Catarina conhecida como "fábrica de bilionários", encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,67 bilhão. O valor representa alta de 0,9% sobre o mesmo período de 2025 e equivale a pouco mais de R$ 18 milhões por dia, ou cerca de R$ 750 mil por hora, considerando os 92 dias entre julho e setembro.

Mesmo assim, o balanço, divulgado na quarta-feira (21), não trouxe os resultados que os investidores esperavam. As ações da companhia (WEGE3) tiveram a maior queda do Ibovespa na semana. O motivo está menos no tamanho do lucro e mais no quanto sobra de cada venda.

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Entre julho e setembro, a WEG teve receita líquida de R$ 10,86 bilhões, crescimento de 5,7% na comparação anual. É como se a empresa faturasse cerca de R$ 118 milhões por dia.

O Ebitda, indicador que mostra quanto a operação gera antes de juros, impostos e depreciação, somou R$ 2,35 bilhões, alta de 3,1%. O retorno sobre o capital investido ficou em 33,2%, 0,8 ponto percentual acima de um ano antes.

O destaque veio de fora do país. As vendas no exterior responderam por 62,5% do faturamento, o maior nível da história da WEG.

A América do Norte é o principal motor desse avanço. A receita na região chegou a US$ 722,8 milhões no trimestre, 31% a mais do que um ano antes. A fatia equivale a 54,7% de tudo o que a empresa vende fora do Brasil. No mesmo período de 2025, era 47,9%.

A venda de transformadores para reforçar a rede elétrica norte-americana, que passa por modernização, ajuda a explicar o salto. E também os geradores da Marathon, marca do grupo nos Estados Unidos, usados como energia de reserva em data centers, os grandes galpões de servidores que sustentam a internet e a inteligência artificial.

O resultado em reais, porém, foi menor do que poderia ser. O dólar médio caiu de R$ 5,45 para R$ 5,14 entre um trimestre e outro. Como a WEG converte para a moeda brasileira o que fatura lá fora, cada dólar passou a valer menos no balanço. Em dólares, as vendas externas subiram 14,8%; em reais, 8,3%.

O ponto que pesou para os investidores foi a rentabilidade. A margem bruta, que mostra quanto fica com a empresa depois de pagar o custo de produção, caiu de 33,6% para 32,9%. Em outras palavras: de cada R$ 100 vendidos, sobraram R$ 32,90, contra R$ 33,60 um ano antes.

Segundo a WEG, três fatores explicam a queda: a alta do cobre, matéria-prima essencial para motores e transformadores; as tarifas de importação cobradas pelos Estados Unidos; e o gasto maior com funcionários, ligado à ampliação das fábricas iniciada neste ano.

O peso da folha de pagamento no custo dos produtos subiu de 19,2% para 20,3%. Isso acontece porque a companhia contrata antes de as novas linhas de produção operarem em ritmo pleno. Com esse efeito, a margem Ebitda também recuou, de 22,2% para 21,6%.

Levantamento da LSEG (London Stock Exchange Group) mostrava que analistas esperavam lucro de R$ 1,71 bilhão e Ebitda de R$ 2,40 bilhões.

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