A 45 dias do primeiro turno, Lula e Flávio evitam debates e sabatinas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos ao comando do Planalto neste ano, têm adotado uma estratégia de evitar a participação em debates e sabatinas da mídia tradicional e de grande potencial de repercussão.
Nesta quinta-feira (20/8), faltam 45 dias para o primeiro turno das eleições presidenciais , marcado para 4 de outubro.
No caso de Lula, interlocutores da campanha do petista dizem que ele não deve comparecer ao primeiro debate presidencial, marcado para o próximo domingo (23/8) e promovido pela TV Bandeirantes, para evitar ser alvo de ataques dos demais candidatos.
O petista é o único candidato do campo da esquerda entre os nomes com mais intenções de voto.
Além disso, a equipe do presidente argumenta que, segundo as regras eleitorais, alguns candidatos não deveriam ser convidados para o evento.
A emissora convidou, além dos dois candidatos que lideram as pesquisas, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão); o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante); e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Pela legislação, Renan Santos e Romeu Zema não precisariam ser convidados, já que as emissoras são obrigadas a convidar para o debate candidatos de partidos que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional.
O cálculo, portanto, é feito a partir dos parlamentares eleitos em 2022, desconsiderando a migração durante a janela partidária, que permite a mudança de partido político sem perda do mandato.
O partido de Zema, o Novo, elegeu três deputados federais, mas hoje tem cinco deputados e um senador.
Já o Missão, cujo pedido de criação foi aprovado em novembro passado, tem apenas um deputado com mandato atualmente.
Do lado de Flávio, a campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) definiu que só participará de confrontos entre presidenciáveis quando o petista estiver presente.
O cálculo é parecido com o de Lula: o senador quer evitar desgaste e ser alvo de ataques dos demais candidatos, que, com a presença dele, devem utilizá-lo como alvo.
Segundo o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), o postulante ao Planalto só irá aos debates na presença de Lula.
Em resumo, a avaliação dominante nas duas campanhas é que os debates oferecem tanto oportunidades quanto riscos de desgaste.
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