Apex: como corrida por saque de R$ 300 milhões em cashbacks pode agravar crise
O termo “cashback” costuma ser associado a programas de recompensa, nos quais o consumidor recebe de volta uma parte do dinheiro gasto em uma compra. No caso da Apex Partners , porém, a expressão tem outro significado.
Segundo informações apresentadas pelo próprio grupo à Justiça, há R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback distribuídos entre aproximadamente 1.600 clientes. São recursos relacionados a produtos financeiros estruturados pelo grupo, e não ao modelo tradicional de devolução de dinheiro usado pelo comércio.
O valor é uma das maiores parcelas do passivo de R$ 985,6 milhões apresentado pelas companhias que compõem a Apex na ação de tutela cautelar ajuizada na Justiça do Espírito Santo na última sexta-feira (7) , após a exposição da crise da empresa um dia antes (6).
De acordo com a documentação, essas obrigações estão relacionadas a produtos como BRM Carbyne Voyage FIA, Carbyne Mercados Privados Feeder, Apex Cresc. Mercados Regionais Feeder, Apex Malls FII, Carbyne Crédito Privado e Debênture NewSun WTE. Esses fundos, aliás, estão em desvalorização , conforme mostra o colunista de A Gazeta , Abdo Filho.
A característica que chama atenção é a remuneração oferecida. Segundo a petição, algumas dessas operações poderiam proporcionar aos clientes rendimento de até 125% do CDI líquido.
No caso da Apex, o “cashback” não deve ser entendido como o dinheiro devolvido por uma loja após uma compra. O termo é utilizado para se referir a obrigações financeiras assumidas pelo grupo perante clientes.
Esses clientes têm posições relacionadas a diferentes produtos e podem ter direito ao recebimento dos valores de acordo com as condições estabelecidas nas respectivas operações. Por isso, o passivo aparece no processo como “obrigações de cashback”.
A estrutura envolve diferentes veículos e produtos financeiros. Entre eles estão fundos alimentadores (que captam recursos), fundo imobiliário, crédito privado e emissão de debêntures.
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