Ganhos de produtividade com IA podem não conter inflação, alerta FMI
Mesmo que a IA (Inteligência Artificial) aumente a produtividade, ela pode não reduzir a inflação, alertou a nova economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional) , Silvana Tenreyro, em uma pesquisa publicada pela equipe do Banco da Inglaterra nesta quinta-feira (20).
À primeira vista, uma maior produtividade econômica — produzir mais com a mesma quantidade de insumos — deveria levar a preços mais baixos.
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Mas Tenreyro, em um artigo escrito em coautoria com a economista do Banco da Inglaterra, Jenny Chan, e a pesquisadora de doutorado, Ludovica Ambrosino, afirmou que o impacto sobre a inflação dos tão esperados ganhos de produtividade é ambíguo.
“Tanto o investimento empresarial quanto os gastos das famílias (podem) antecipar-se aos ganhos de produtividade efetivamente alcançados, como muitos argumentam que está ocorrendo atualmente com o investimento em infraestrutura de IA”, afirmaram os pesquisadores.
Se a demanda por investimentos — ou os gastos em antecipação a ganhos futuros decorrentes da IA — ocorrer antes que a economia tenha realmente visto a prometida melhoria na produtividade, isso pode levar a restrições de oferta , elevando a inflação e exigindo taxas de juros mais altas , segundo a análise.
Os preços da memória de computador e dos chips gráficos dispararam no último ano devido à demanda dos centros de dados, elevando os preços de telefones, laptops e outros eletrônicos.
Por Lucinda Pinto: Intervenção nos EUA não resolve pressão sobre juros | FECHAMENTO DE MERCADO A pesquisa também indicou que o impacto dos ganhos de produtividade na inflação, em geral, depende do fato de eles serem sentidos mais em bens exportados ou em serviços produzidos no mercado interno.
Os ganhos de produtividade nos serviços tendem a reduzir a inflação doméstica , enquanto os relacionados às exportações tendem a elevar os salários no mercado interno e impulsionar a demanda por serviços com oferta restrita, aumentando a inflação.
A pesquisa foi publicada no blog “Bank Underground” do BoE, um fórum para que funcionários do BoE compartilhem opiniões que não refletem necessariamente a visão oficial do banco central.
Tenreyro, que integrou o Comitê de Política Monetária do BoE de 2017 a 2023, contribuiu para o artigo em sua função de professora da London School of Economics.
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