Nando Entre Dois Mundos – Crítica: Filme da Netflix transforma o vilão de Sintonia em pai desesperado
Vou ser direto: eu tinha medo desse filme.
Sintonia funcionava justamente porque dividia o olhar entre três amigos da mesma quebrada, e transformar um deles em protagonista solitário de um longa parecia o tipo de aposta que costuma dar errado.
Nando Entre Dois Mundos – Um Filme Sintonia chegou nesta quarta-feira à Netflix carregando essa dúvida, e a boa notícia é que ele sabe exatamente o que está fazendo, mesmo quando tropeça no caminho.
A força de concentrar tudo em um só rosto O que mais me impressionou foi a coragem de estrutura.
A série espalhava o peso dramático entre Doni, Rita e Nando ao longo de temporadas inteiras; aqui, Christian Malheiros segura duas horas praticamente sozinho.
Desde Sócrates, em 2018, ele construiu um registro que trabalha na contenção, quase tudo passa pelo rosto, pelo que ele engole em vez do que grita.
Nando sempre foi o mais frio do trio, o que calcula enquanto os outros sentem, e o filme se apoia nisso com inteligência.
É um risco.
Pendurar um thriller inteiro numa atuação feita de recusa e silêncio poderia ter esvaziado a tensão.
Em vez disso, funciona: a pressão vive no que Nando não diz e no que ele já não pode fazer.
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