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Sou a favor da morte assistida não por desejá-la, mas para assegurar o direito a um fim digno

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Sou a favor da morte assistida não por desejá-la, mas para assegurar o direito a um fim digno

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Gosto muito da inversão da lógica que o jornalista Adriano Silva descreve no livro " O Dia em que Eva Decidiu Morrer ": "O oposto de morrer não é viver, mas nascer. O tempo que houver entre esses dois instantes é o que chamamos de vida".

É a maneira como vivemos que determina como nos relacionamos com a morte , e isso é fascinante. Quando falamos sobre morte assistida , o cenário imaginado por grande parte das pessoas é o de alguém acometido por uma doença terminal, incurável ou situação incapacitante. Para as duas primeiras, resta, logo após o diagnóstico, decidir sobre tratamentos possíveis considerando o tempo disponível. Para a última, situação em que me encontro após fraturar a quarta e a quinta vértebras cervicais, o tempo pode ser o algoz.

O acidente que me tornou tetraplégica há 18 anos não tirou minha autonomia, mas minha independência para as atividades básicas do cotidiano. Preciso de auxílio para escovar os dentes, tomar banho ou me vestir, embora escreva essas linhas sozinha, em frente ao meu notebook, graças à tecnologia assistiva. Conto com uma equipe que eu mesma treinei e coordeno e que me auxilia da forma mais digna que julgo necessária para que eu não perca a autonomia e a lucidez para reconhecer esse privilégio.

Mas sei que essa não é a realidade da maioria das pessoas em situações semelhantes à minha. Manter a saúde física e mental, além de garantir os cuidados necessários, demanda suporte financeiro e psicológico. Esses fatores representam mais uma variável em uma extensa equação em que dignidade é o fator determinante, por ser um conceito pessoal e intransferível. O que é digno para mim pode não ser para você, o que representa autonomia no meu cotidiano pouco pode significar para alguém com uma lesão semelhante à minha.

Logo, quem deve decidir o que é dignidade é a própria pessoa e não o Estado. Quem escolhe uma morte assistida busca aliviar o sofrimento antes da perda da consciência ou do controle do corpo, como acontece no caso das doenças neurodegenerativas como, por exemplo, o Alzheimer ou a ELA (esclerose lateral amiotrófica) . Não se trata de desejar a morte, e sim de assegurar o direito a um fim digno.

Eu não hesitaria em atravessar o oceano para buscar em um país distante a morte assistida, mas faria mais sentido ter esse direito assegurado de forma legal no país em que nasci, próxima das pessoas que amo e que podem me acolher no momento de despedida. É isso que define uma existência com significado.

Somente eu posso decidir sobre querer ou não continuar vivendo. Por isso a morte assistida deveria ser um direito assegurado pelo Estado para que eu possa usá-lo quando e se quiser. Viver é, sobretudo, decidir.

Na última quarta (12), assim que terminou o primeiro Simpósio Internacional da Eu Decido , organização que visa debater o direito à morte assistida no Brasil, pensei o quanto precisamos amadurecer o entendimento sobre finitude. Nossa existência é pautada por escolhas, das mais simples às complexas, decisões que, durante a vida, refletem quem somos e nossos íntimos desejos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Equilíbrio e Saúde.

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