China se opõe à desaceleração da IA e cita “alarmismo” de executivos dos EUA
O Ministério das Relações Exteriores da China rebateu nesta segunda-feira (14) o apelo de executivos de empresas de inteligência artificial (IA) dos Estados Unidos para que o setor desacelere o desenvolvimento da tecnologia, classificando a postura como alarmismo injustificado.
“Alarmismo, confronto e competição apenas vão perturbar o processo de governança global da IA”, diz Guo Jiakun , porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês , em declaração divulgada pela CNBC.
A resposta veio após executivos como Dario Amodei , da Anthropic , Sam Altman , da OpenAI , e Elon Musk defenderem uma redução no ritmo de avanços na tecnologia, citando os riscos que o progresso acelerado representa.
Corrida pela liderança em IA No domingo (13), Chen Yixin , ministro da Segurança do Estado da China, publicou um artigo convocando a aceleração da construção de um sistema de prevenção e controle de riscos de segurança em IA.
O campo da inteligência artificial se tornou “o principal campo de batalha para a competição tecnológica global e uma nova arena para a rivalidade estratégica entre as grandes potências”, escreveu o ministro, que também defendeu um desenvolvimento “saudável e ordenado” da tecnologia.
Na mesma data, o presidente Xi Jinping afirmou, na cúpula do bloco Brics em Nova Délhi, que a China vai liderar iniciativas para estimular a colaboração e o desenvolvimento da IA entre os países em desenvolvimento.
Reação nos mercados e no governo dos EUA O apelo dos executivos provocou queda nas ações ligadas à IA nesta segunda-feira (14).
Os papéis do SoftBank , um dos maiores investidores da OpenAI, recuaram 10% no Japão.
Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , também rejeitou a ideia de desaceleração durante viagem à Irlanda.
“Estamos liderando a China em IA… e, francamente, quero manter dessa forma, porque quem vencer a IA, vence”, diz.
O argumento de Amodei No sábado (12), Amodei publicou um ensaio em que defendeu um equilíbrio entre velocidade e cautela.
“Não desenvolver a tecnologia priva a humanidade de benefícios ou simplesmente coloca a IA nas mãos de poderes autoritários, enquanto desenvolvê-la rápido demais é imprudente”, escreveu.
Leia mais: Ações de empresas de IA despencam globalmente após alertas de CEOs sobre riscos O executivo da Anthropic reconheceu, porém, que qualquer ritmo de desaceleração seria limitado pela vantagem que as empresas americanas têm sobre “regimes autoritários, principalmente o Partido Comunista Chinês”.
“Se desacelerarmos mais do que esse valor, projetos associados ao Partido Comunista Chinês (PCC) sem ritmo controlado vão avançar à frente, criando risco significativo à segurança nacional”, argumenta.
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