Mais um bancão gringo rebaixa recomendação de ações brasileiras — e o risco Brasil segue no radar
O Morgan Stanley passou a enxergar com mais cautela a relação entre risco e retorno no mercado brasileiro Brasil.
Fatores como a desaceleração econômica doméstica, as preocupações fiscais persistente e o aumento da incerteza em relação à continuidade das políticas elevando os riscos de queda — especialmente nos setores mais expostos à economia — ganharam peso na avaliação do banco.
Diante disso, o Morgan Stanley rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de overweight (compra) para equal-weight (neutro) .
“É importante destacar que nosso rebaixamento não representa uma visão direcional sobre as eleições do quarto trimestre de 2026 “, afirmam os analistas Nikolaj Lippmann, Julia L.
Nogueira e Marcos Rios, embora reconheçam que os riscos fiscais e de política econômica estejam aumentando.
Na avaliação dos analistas, ainda é cedo para assumir uma postura mais baixista , dado o potencial de valorização relevante caso uma mudança de política melhore a credibilidade fiscal, abra espaço para juros mais baixos e favoreça uma transição mais suave para uma recuperação liderada pelos investimentos.
Ao mesmo tempo, o banco considera que os setores brasileiros com exposição global, especialmente energia e agricultura , continuam bem sustentados, oferecendo uma compensação parcial para a fraqueza do ciclo doméstico.
“Por isso, preferimos reduzir nossa alocação geral ao Brasil, mantendo exposição seletiva aos motores de crescimento global e ao potencial de valorização associado a mudanças de política”, diz o Morgan Stanley no relatório.
Com isso, o banco realocou risco para o Chile, elevando a recomendação de equal-weight (neutro) para overweight (compra), visto que o ciclo de investimentos e o ambiente de políticas públicas oferecem uma configuração mais favorável no curto prazo.
“Vemos o cenário no Chile ficando mais favorável, com investimentos crescentes impulsionados pelo ciclo global de capex em inteligência artificial e por políticas que favorecem projetos estratégicos e a desregulamentação.
Em 11 de agosto, o JP Morgan já havia rebaixado a recomendação do Brasil de overweight para neutro, mencionando o ciclo de flexibilização monetária perto do fim, ao mesmo tempo que o crescimento econômico desacelera e o ciclo de crédito se deteriora.
Nos pregões seguintes, o Ibovespa (IBOV) teve forte debandada do investidor estrangeiro, registrando 11 quedas consecutivas, a pior sequência do índice desde 2023.
Postura mais defensiva no Brasil O Morgan Stanley adotou uma postura mais defensiva no seu portfólio no Brasil, uma vez que não tem convicção sobre o resultado das eleições presidenciais de outubro.
Com isso, o banco incluiu a Suzano (SUZB3) à carteira para obter proteção contra uma possível desvalorização do real.
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