Radar das Eleições: Debates perdem força nas eleições e PSDB enfrenta crise de identidade
A ascensão das redes sociais e a consolidação da polarização entre lulismo e bolsonarismo reduziram a um segundo plano os tradicionais debates entre candidatos , nas eleições presidenciais . Esse foi o ponto central da quinta edição do Radar das Eleições , que tratou também sobre a crise de identidade do PSDB .
O programa do Money Times , apresentado por Paula Comassetto, contou com as participações de Gustavo Porto, editor de Política do portal, e do cientista político Henrique Curi, consultor da Metapolítica Consultoria.
Para Curi, os debates tradicionais passaram a ter uma função diferente daquela que exerciam em eleições anteriores. Em vez de serem necessariamente instrumentos para conquistar eleitores indecisos ou mudar preferências, funcionam cada vez mais como uma oportunidade para candidatos reforçarem posições já consolidadas e produzirem conteúdo para as redes sociais.
“As redes sociais acabam potencializando esse caráter do debate eleitoral, que prega para convertido”, afirmou Curi. Segundo ele, dificilmente um eleitor que chega ao debate com uma preferência definida muda de opinião apenas em função do desempenho dos candidatos no confronto televisivo. A preferência, em muitos casos, já foi construída ou reforçada anteriormente nas redes sociais.
A lógica dos algoritmos contribui para esse processo fora da TV. Ao identificar as preferências de cada usuário, as plataformas tendem a entregar conteúdos alinhados aos interesses daquele eleitor, criando o que Curi classificou como “câmaras de eco”. O resultado é uma exposição menor a opiniões divergentes e uma relação cada vez mais segmentada com a política.
Nesse ambiente, o debate passa a ser menos importante pelo conteúdo integral apresentado pelos candidatos e mais pelos trechos que conseguem repercutir posteriormente nas redes. Candidatos precisam, além de responder aos adversários, produzir frases e momentos capazes de gerar cortes e circulação nas plataformas digitais.
“No debate eleitoral, às vezes um debate muito extenso, o que o candidato precisa é também gerar conteúdo para as redes sociais”, afirmou Curi.
A perda de importância dos debates e a polarização recente entre duas correntes opostas também ajuda a explicar a decisão de candidatos como Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro de não participar de confrontos, como o do realizado pelo Grupo Bandeirantes no último domingo (23), que abriu o calendário de debates nas eleições deste ano.
A ausência pode ser racional do ponto de vista eleitoral para quem já possui um eleitorado consolidado. No caso de Flávio Bolsonaro, Curi avaliou que a estratégia de não participar fazia sentido porque os demais candidatos tinham maior interesse em atacá-lo e retirar votos de sua base. “Todos os outros candidatos querem tirar voto dele”, afirmou.
A lógica seria diferente para candidatos menos conhecidos nacionalmente, como Romeu Zema .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.