Nem tão inimigos assim: Renan e Lira ganham campanha de voto casado em AL
Adversários políticos declarados há anos , o senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado federal Arthur Lira (PP) receberam centenas de apoios conjuntos de deputados, prefeitos e vereadores para suas candidaturas ao Senado em Alagoas em outubro.
Apesar de estarem em coligações distintas e apoiem nomes diferentes ao governo —Lira apoia JHC (PSDB), e Calheiros está na chapa de Renan Filho (MDB), seu filho—, ambos dão sinais que vão deixar de lado as rusgas e aceitaram sem muita contestação que políticos de seus grupos também apoiem o rival.
A coluna visitou ontem o perfil do Instagram de mais de 50 prefeitos do MDB e do PP e viu que a maioria dos que postaram publicamente algum apoio se declaram conjuntamente a Lira e a Calheiros para as duas cadeiras de Alagoas.
Nas ruas do estado, é comum ver também carros com adesivos dos dois maiores nomes da política alagoana hoje. A maioria acompanha pedido também para os respectivos filhos (no caso de Arthur, para Álvaro Lira-PP que aos 20 anos concorre a uma vaga de deputado federal ).
"Aposta-se nos bastidores que eles tenham feito um acordo de não ataque e de divisão de palanques, de forma não oficial", afirma o cientista político Ranulfo Paranhos, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas).
Segundo apurou a coluna, não há nem deve haver pressão para aliados que troquem de candidato. A explicação mais aceita para isso é que ambos são favoritos, e comprar briga ou iniciar uma troca de farpas os levariam apenas a perder votos.
Apesar disso, os dois senadores fecharam alianças com outros nomes para o Senado.
Paranhos acredita que os dois são favoritos na disputa por conta da capilaridade que possuem nos 102 municípios do estado, já que conseguiram se aproximar da maioria dos prefeitos alagoanos, por envio de emendas ou ajudando a emplacar projetos no governo federal.
O Arthur é o cara que coordena um grande grupo que é capaz de fazer frente ao outro grupo do Renan Calheiros; mas, apesar de serem rivais, eles podem ser classificados da mesma forma: apostam na trajetória política que essas alianças com prefeitos, vereadores, deputados fazem diferença. Eles são políticos de grupo. Ranulfo Paranhos, cientista político
Uma boa notícia para ambos foi a saída da disputa de Alfredo Gaspar (PL), que desistiu de concorrer ao Senado para aceitar o convite e ser candidato a vice-presidente com Flávio Bolsonaro. Calheiros e Lira são tidos como favoritos para a disputa.
Não há pesquisas ainda após a definição do quadro, mas aquelas anteriores à saída de Alfredo Gaspar mostravam os três muito próximos e um cenário imprevisível. Não à toa, Arthur Lira articulou nos bastidores para a escolha do PL pelo deputado federal alagoano como vice de Flávio.
Um outro nome forte que poderia concorrer ao Senado, e era apontado como maior ameaça a uma das cadeiras de Lira ou Calheiros, era o do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB).
Na segunda da semana passada ele chegou a anunciar ao presidente Lula e ao PSDB que iria deixar a disputa ao Executivo para ser candidato ao Senado .
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