Magalu e Americanas sobem após Casas Bahia pedir RJ: o que muda para o varejo na B3?
As ações de algumas varejistas de e-commerce da B3 avançavam nesta segunda-feira (17), caso de Magazine Luiza ( MGLU3 ) e Americanas ( AMER3 ), em um pregão marcado pela combinação de dois fatores importantes para o setor: a recuperação judicial da Casas Bahia ( BHIA3 ) e a queda dos juros futuros após a divulgação do IBC-Br de junho abaixo do esperado. Às 13h27 (horário de Brasília), Magalu subia 6,65% (R$ 4,17), Americanas tinha ganhos de 2,14% (R$ 3,82), enquanto BHIA3 desabava 27,27% (R$ 0,48).
No fim da noite do último domingo (16), a Casas Bahia comunicou o pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões em passivos, citando ambiente macroeconômico desafiador, juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre consumo e capital de giro.
Antes disso, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e anunciou recentemente o fechamento de quase 300 lojas.
Na avaliação do JPMorgan, a reestruturação da Casas Bahia tende a melhorar o posicionamento competitivo do Magazine Luiza, especialmente no canal físico.
O banco destaca que as duas empresas possuem escala semelhante na venda de eletrodomésticos e eletrônicos, o que pode favorecer ganhos de participação de mercado para a companhia comandada por Frederico Trajano à medida que a rival reduz operações e passa por um processo de reorganização financeira.
“O recente fechamento de lojas e a reestruturação financeira da Casas Bahia provavelmente estão gerando ganhos de participação de mercado para o Magazine Luiza em categorias centrais, como eletrodomésticos e eletrônicos”, afirmou o JPMorgan.
Leia também Casas Bahia em RJ: R$ 17 bi de dívida e queda de 78% da ação; o que esperar de BHIA3? Pedido de recuperação judicial confirma cenário já antecipado pelo mercado após prejuízo bilionário, patrimônio líquido negativo e alerta da auditoria sobre a continuidade operacional da varejista Para Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, o movimento reflete sobretudo uma leitura específica de concorrência e possível ganho de participação de mercado.
“A Casas Bahia enfrenta restrição de crédito, redução de estoques e agora um processo formal de reestruturação que tende a limitar sua capacidade de competir no curto e médio prazo em categorias de bens duráveis.
Isso abre espaço para rivals com estrutura financeira menos pressionada capturarem demanda que antes era atendida pela rede”, aponta.
O otimismo do mercado com as concorrentes, porém, não significa necessariamente uma melhora estrutural do setor.
Para Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, a reação positiva das ações está mais relacionada ao enfraquecimento de um participante relevante do mercado do que a uma mudança dos fundamentos do varejo.
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