Presos provisórios poderão votar nas Eleições 2026, mas direito pode acabar em 2027
Urna eletrônica durante ação com ministro Nunes Marques, presidente do TSE (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV) Brasileiros que estão presos provisoriamente poderão votar nas Eleições 2026.
O direito, porém, pode estar perto do fim.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a aplicação de um trecho da chamada Lei Antifacção, que passou a proibir o alistamento eleitoral e o voto de pessoas presas, incluindo aquelas que ainda não foram condenadas definitivamente.
Desde a Constituição de 1988, pessoas condenadas criminalmente com sentença definitiva, quando não há mais possibilidade de recurso, são impedidas de votar.
Já os presos provisórios, que ainda respondem a processos sem condenação definitiva, mantêm os direitos políticos.
A possibilidade de votação em estabelecimentos prisionais começou a ser implementada pela Justiça Eleitoral a partir de 2002.
Em alguns estados, são instaladas seções eleitorais dentro de unidades prisionais e socioeducativas para permitir a participação desses eleitores.
Por que o TSE suspendeu a mudança? A Lei Antifacção, também conhecida como Lei Raul Jungmann, entrou em vigor em março de 2026 e estabeleceu a proibição do alistamento e do voto para todos os presos, independentemente de haver ou não condenação definitiva.
A regra foi questionada na Justiça Eleitoral.
O TSE entendeu que a aplicação imediata da mudança contrariaria o princípio da anualidade eleitoral, previsto na Constituição.
Pela regra, alterações que possam afetar o processo eleitoral não podem ser aplicadas à eleição que ocorrer dentro de um período inferior a um ano da mudança.
Com isso, a proibição não será aplicada às eleições de outubro de 2026.
Poucos presos conseguem votar Apesar do direito, a participação eleitoral de presos provisórios e adolescentes submetidos a medidas de internação é pequena.
Segundo dados do TSE, aproximadamente 12,9 mil presos provisórios e adolescentes internados votaram nas eleições de 2022, o equivalente a cerca de 3% do público potencial.
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