Planejaram no WhatsApp: vigilantes são presos por tortura, sequestro e morte de morador de rua
Vigilantes de uma empresa privada de segurança em Vitória usavam um grupo de WhatsApp para combinar sequestros, torturas e agressões contra pessoas em situação de rua.
As conversas fazem parte da investigação que levou nove integrantes da equipe a se tornarem réus pela morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues , conhecido como “Bracinho”.
Oito estão presos e um permanece foragido.
A investigação da Polícia Civil do Espírito Santo aponta que integrantes da equipe de rondas passaram a agir por conta própria contra pessoas que consideravam responsáveis por furtos ou “perturbações” em condomínios atendidos pela empresa.
Em vez de apenas verificar movimentações suspeitas e acionar as forças de segurança, como previa a função exercida pelos rondistas, eles capturavam e agrediam pessoas em situação de rua. :contentReference[oaicite:0]{index=0} Segundo o delegado Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), a investigação identificou que esse tipo de atuação ocorria havia pelo menos dois anos.
Áudios, mensagens, fotografias e vídeos recuperados durante a apuração mostram que as agressões eram relatadas e compartilhadas entre os integrantes da equipe.
“Desce a madeira.
Aí é terapia” As mensagens de WhatsApp revelam a naturalidade com que integrantes do grupo discutiam o sequestro e a agressão de pessoas em situação de rua, chamadas por eles de “nóias”.
Em um dos áudios, Saimon Sales Cesar, de 30 anos, orienta os colegas sobre como levar uma vítima para um local afastado e sem câmeras.
“Aí qualquer coisa taca dentro do carro, leva pro lugar deserto.
E desce a madeira.
Aí sem tomar cuidado no lugar se não tiver câmera.” Na sequência, Saimon conclui: “Aí é terapia, né?” Outro integrante da equipe, Thiago Gonçalves, de 24 anos, relatou em conversa ter colocado duas pessoas dentro de um carro, ameaçado e agredido ambas durante o trajeto.
Uma delas teria sido abandonada em uma área próxima a uma praia.
No próprio relato, Thiago afirmou ter rido da situação por considerá-la “engraçada”.
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