Novo método pode identificar cerâmicas falsas usando o campo magnético da Terra
Imagine que você encontra um vaso de cerâmica na beirada de um rio.
Você não sabe quem fez, não há detalhes específicos, nem assinatura.
Esse tipo de cena não é incomum na Ilha de Marajó, por exemplo, onde cerâmicas de até 1.600 anos são encontradas sem esforço há séculos.
Como saber a idade daquele material? Será que ele foi feito há 5 mil anos, por um povo tão distante que sequer sabemos o nome? Será que foi feito há alguns anos, por uma tia ou avó distraída? Ou, pior, será que foi feito por um falsificador, interessado em comercializar artefatos arqueológicos? Há formas de datar artefatos humanos, é claro.
A datação por Carbono-14, comumente usada para materiais orgânicos, só funciona com coisas muito antigas, com mais de 50 mil anos.
A maioria dos objetos deixados por humanos é mais recente do que isso.
Por isso, existem outros métodos – como a datação por termoluminescência e por rehidroxilação.
Agora, um novo estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences , aponta um novo método para estimar a idade de cerâmicas, usando um aspecto inusitado de sua composição: o alinhamento magnético das partículas.
Continua após a publicidade Romanos usavam fóssil de trilobita como joia Vamos do começo: as cerâmicas são feitas de argila.
A argila, por sua vez, é feita de água e partículas extremamente finas de terra, incluindo minerais ferromagnéticos.
Para se tornar duro e resistente, o material precisa passar por uma queima – assar em um forno, como um bolo.
Nessa hora, os minerais ferromagnéticos se orientam em direção ao polo norte magnético terrestre, como se fossem bússolas microscópicas.
Esse sinal fica ali mesmo depois do esfriamento da peça, e é chamado de TRM (magnetização remanescente térmica, na sigla em inglês).
Continua após a publicidade Acontece que a localização do polo magnético da Terra está em constante mudança por causa dos fluxos contínuos de ferro e cobre derretidos no centro do planeta.
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