Pesquisa alerta que 76% das empresas familiares do Nordeste ignoram sucessão
A sucessão deixou de ser uma questão restrita à divisão de patrimônio e passou a fazer parte das decisões que determinam a continuidade de empresas familiares.
No Nordeste, onde grupos empresariais ampliaram sua presença em setores como agronegócio, varejo, infraestrutura, energia e serviços, a preparação para a mudança de geração ainda avança em ritmo mais lento que os próprios negócios.Levantamento da Mardô Family House Integration com 71 sistemas familiares nos nove estados nordestinos mostra que 76% das famílias empresárias analisadas não possuem um plano estruturado de sucessão e governança.
Bahia, Pernambuco e Ceará concentram 55% das grandes famílias empresárias mapeadas.
O Nordeste reúne ainda R$ 84 bilhões em fortunas associadas a bilionários, que passaram de 18 para 30 nomes, segundo o estudo.Na Bahia, o aumento do valor dos ativos ocorre, em muitos casos, com fundadores e controladores ainda à frente das decisões.
Para Marcia Dolores, CEO e fundadora da Mardô, um dos motivos para o adiamento da sucessão está na forma como as famílias entendem o processo.“Temos experiência há 30 anos e os dados mostram que existe na origem dos processos sucessórios uma distorção em que se acredita que suceder é ocupar o espaço de outra pessoa”, afirma.
Para ela, a sucessão deve ser pensada como parte da construção da empresa, e não como uma simples substituição de quem está no comando.A preparação, segundo Dolores, deveria começar ainda nos primeiros anos do negócio.
“Uma empresa que nasce já deveria pensar no processo sucessório.
Se eu não estiver aqui, como isso se ordena? E se meus filhos precisarem assumir a operação mais cedo do que o desejável?”, questiona.Na prática, porém, muitas famílias só enfrentam o assunto quando uma situação urgente obriga a tomada de decisões.
“Infelizmente, esse passo só é dado quando há um possível litígio, um óbito, irmão brigando com irmão”, diz.Outro obstáculo está na distância entre os herdeiros e a operação.
Segundo a CEO da Mardô, muitos filhos e integrantes da terceira geração deixam o Nordeste para estudar e acabam se afastando da realidade dos negócios da família.
O levantamento indica que 55% gostariam de dar continuidade à empresa, mas querem clareza sobre o papel que poderão desempenhar e sobre os limites em relação à geração que permanece na administração.A falta de informação também pode dificultar a transição.
Dolores afirma que há concentração de conhecimento entre os integrantes mais velhos, sobretudo no varejo, no agronegócio e nos serviços.
Em alguns casos, a geração que assumiu o negócio sem preparo procura proteger filhos e netos das dificuldades que enfrentou e acaba afastando-os da empresa.Por isso, a governança sucessória não se resume a documentos societários ou planejamento tributário.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.