'Ato insano': segurança que agrediu ciclista disse que agiu por instinto
Em depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, o segurança Davi Santos Machado, que desferiu diversos golpes de porrete em Cláudio Rafael Landeiro porque achou que ele era ladrão, disse que agiu por instinto e que não havia informação concreta de que a bicicleta era roubada.
Cláudio foi agredido e morreu em consequência das agressões porque um grupo suspeitou que ele teria roubado ou furtado a bicicleta que pedalava e que, na verdade, pertencia à sua irmã.
Segurança mudou versão sobre a sua participação. Em depoimento prestado no dia 17 de agosto, Davi Santos Machado disse que não havia presenciado as agressões contra Cláudio Rafael. Foi ele quem abordou o jovem ao suspeitar que a bicicleta era roubada. Inicialmente, ele disse apenas que havia desferido um soco no braço do ciclista para que ele soltasse a bicicleta.
'Ato insano' e ação por instinto. No segundo depoimento, prestado no dia seguinte, Davi assumiu a sua participação. À polícia, ele disse que em um "ato insano" desferiu vários golpes na cabeça da vítima com um porrete. O segurança afirmou ainda que decidiu abordar Cláudio Rafael por "instinto" e não soube explicar o que o levou a agir daquela forma. Segundo o depoimento, não havia qualquer informação concreta de que a bicicleta que o jovem pedalava tivesse sido furtada. Davi disse que abordou a vítima depois de ter sido alertado por um morador sobre um "indivíduo em atitude suspeita" próximo a uma loja de doces.
Confessou crime após mãe passar mal e se diz arrependido. O segurança contou que decidiu confessar a sua participação depois de ver sua mãe passar mal ao saber da situação. Imagens das agressões mostram o envolvimento dele. Davi também disse que está arrependido e que se pudesse voltar atrás teria agido de forma diferente.
Vítima pedia que o soltassem. Ainda de acordo com o depoimento do segurança, Cláudio Rafael não chegou a pedir socorro, apenas pedia que os agressores o soltassem.
Seguranças envolvidos no espancamento tiveram prisão mantida ontem. Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias passaram por audiência de custódia e o juiz Rafael de Almeida Rezende validou a prisão temporária dos dois. Eles se entregaram na quinta-feira.
Jorge Luiz Ricardo Dias foi o primeiro a se entregar na 12ª DP (Copacabana) ainda pela manhã da quinta-feira. Já Davi se entregou na 53ª DP (Mesquita) no início da noite . Jorge teria abordado Cláudio na rua Barata Ribeiro, mas não há indícios de que tenha participado diretamente nas agressões. Davi, por sua vez, também realizou a abordagem e deu cerca de 30 pauladas na vítima.
Polícia investiga serviço ilegal de segurança privada. Segundo o delegado responsável pelo caso, Ângelo Lages, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias integravam um grupo que fornecia serviço clandestino de segurança privada . Eles atuavam em ruas distintas do bairro.
Grupo de justiceiros pode ter incentivado agressões. O delegado Ângelo Lages afirma que, por ora, não há indícios de ligação entre o grupo que agrediu Cláudio Rafael e justiceiros que atuam na zona sul do Rio.
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