A dialética da sabotagem algorítmica: IA e a fronteira do conflito político na Bahia
Professora da UFBA, doutora em Educação, pós-doutora em Ciência da Informação e autora de “Tecnologia e Mediação” (CRV, 2017).
Cara leitora, caro leitor, o cenário político contemporâneo brasileiro transpôs definitivamente suas fronteiras para o domínio imaterial do ciberespaço , onde a lógica da “sociedade digital” impõe novos paradigmas de conflito. O ataque cibernético coordenado contra os perfis do governador da Bahia Jerônimo Rodrigues, do senador Jaques Wagner e do ministro Rui Costa, ocorrido na madrugada do dia 01 de agosto de 2026, serve como um case emblemático da vulnerabilidade institucional ante a sofisticação do crime digital. Sob uma perspectiva dialética, esse episódio não representa apenas uma agressão técnica, mas a síntese da tensão entre a democratização da tecnologia como arma de destruição de reputações.
O ataque consistiu no disparo massivo de mais de 70 mil seguidores falsos, majoritariamente de origem asiática, em um intervalo de apenas cinco horas. A sofisticação desta ação não reside no ganho numérico de audiência, mas na perversão da lógica de moderação das plataformas. Conforme apontam Caldas e Caldas (2019), o uso de “ social bots ” (robôs sociais) entendidos como programas desenvolvidos para simular o comportamento humano, busca poluir o debate público e manipular percepções. No caso baiano, o objetivo estratégico era induzir os sistemas e algorítmos da Meta a suspender as contas desses políticos por violação das diretrizes contra comportamento inautêntico, criando simultaneamente a narrativa falsa de que os próprios teriam comprado engajamento.
A relação entre os ataques cibernéticos sofridos pelos políticos do PT na Bahia e a inteligência artificial (IA) é direta e estrutural, manifestando-se principalmente através da automação do comportamento inautêntico e do uso de algoritmos para manipular a percepção pública e as regras das plataformas sociais. Com base em pesquisadores (Caldas e Caldas, 2019; Goldoni, Rodrigues e Medeiros, 2024), os principais pontos dessa relação são:
1) Uso de social bots (robôs sociais) – os ataques foram realizados a partir de disparos massivos de seguidores falsos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.