Morgan Stanley rebaixa ações do Brasil após eleição e reforça aposta em exportadoras
O Morgan Stanley reduziu sua recomendação para as ações brasileiras em sua carteira modelo para a América Latina após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O banco rebaixou o Brasil de overweight (exposição acima da média) para equal-weight (exposição neutra), citando uma probabilidade elevada de continuidade das políticas econômicas e um aumento dos riscos fiscais nos próximos anos.
Segundo os estrategistas liderados por Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira, o país pode enfrentar uma combinação mais desafiadora de câmbio depreciado, juros elevados e desaceleração econômica, em um ambiente que exigiria um reequilíbrio fiscal considerado improvável pelo banco.
Diante desse cenário, a instituição espera uma redução do apetite por risco dos investidores, com impacto negativo sobre as avaliações das ações brasileiras.
Apesar da redução da exposição ao mercado brasileiro, o Morgan Stanley evitou uma recomendação underweight para o país.
A justificativa é que o peso das exportadoras e dos grandes bancos no mercado acionário brasileiro tende a limitar uma deterioração mais acentuada dos lucros corporativos.
Leia também Morgan Stanley vê dólar até R$ 5,60 e queda de 30% da Bolsa após reeleição de Lula Os estrategistas destacam que a principal preocupação passa a ser a trajetória das contas públicas “Neste momento, preferimos a face externa do mercado brasileiro, cujos motores de crescimento estão mais ligados aos preços das commodities do que à política doméstica”, afirmaram os estrategistas.
Rotação para exportadoras Como reflexo dessa visão, o banco promoveu uma ampla rotação em sua carteira.
O Morgan Stanley aumentou a exposição a empresas exportadoras e mais beneficiadas por um real potencialmente mais fraco, elevando posições em Vale ( VALE3 ), Embraer ( EMBJ3 ) e JBS (JBSS3), além de recolocar Suzano ( SUZB3 ) na carteira modelo.
A Suzano foi a principal inclusão do relatório, com a empresa sendo adicionada para ampliar a exposição a companhias que geram caixa em dólar após o resultado inesperado das eleições brasileiras.
Leia também Suzano salta 10%, Embraer sobe 9%: as 8 ações que subiram após a reeleição de Lula Apenas oito ações do Ibovespa tiveram alta na primeira sessão após reeleição de Lula Na composição atual da carteira latino-americana, o Morgan Stanley atribui peso relevante a Petrobras ( PETR4 ), Itaú Unibanco ( ITUB4 ), Vale ( VALE3 ), Embraer ( EMBJ3 ), Suzano ( SUZB3 ) e JBS (BDR: JBSS32 ), mantendo viés favorável para companhias exportadoras e ligadas a commodities.
A instituição, por outro lado, reduziu posições em empresas consideradas mais sensíveis à dinâmica dos juros e ao crescimento da economia doméstica.
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