As lições da crise comercial entre EUA e Canadá para o Brasil
Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília acompanham com atenção uma crise que se desenrola nos últimos dias a milhares de quilômetros de distância, na América do Norte.
A negociação comercial entre EUA e Canadá colapsou há uma semana, quando o primeiro-ministro canadense Mark Carney veio a público acusar a administração de Donald Trump de tentar arruinar a indústria do país vizinho com exigências de última hora e a tratá-los como uma subsidiária de Washington e não como um país soberano.
Com isso, além da China e do Brasil, o Canadá se tornou apenas o terceiro país a empunhar a reciprocidade como resposta aos arroubos tarifários de Trump, que já salpicou taxas comerciais contra mais de uma centena de países ao redor do mundo neste segundo mandato.
Em relação à China, no ano passado, viu-se uma subida exponencial de taxas de lado a lado (que chegaram a 145%!), associada a medidas como restrição de exportação de terras-raras pela China aos EUA, ou retirada de vistos de estudantes universitários chineses pelos EUA, até que os negociadores de Trump e Xi Jinping voltassem à mesa para encontrar algum tipo de armistício bilateral.
A China, porém, é uma potência gigantesca, com condições de fazer frente aos EUA em uma guerra fria comercial.
Muito diferente da situação do Canadá, uma potência média - como o Brasil - que tem nos EUA seu principal parceiro comercial e destino para 70% de suas exportações. A Casa Branca promete impor dor o bastante ao aliado histórico e vizinho de fronteira de modo a fazê-lo recuar sem ameaçar a política econômica trumpista diante do resto do mundo. É exatamente essa queda de braço que a diplomacia brasileira acompanha lance a lance. "O que vier do desenrolar desse imbróglio vai ser um aprendizado pra gente, pode haver lições para tomarmos", afirmou, sob reserva, um auxiliar do presidente Lula.
Diferente das retaliações orquestradas por China e Canadá, os ritos previstos pela lei de reciprocidade econômica do Brasil devem empurrar qualquer decisão retaliatória para dezembro, o que retarda uma resposta de Washington, e dá ao Brasil a chance de avaliar o que acontecerá com o Canadá primeiro. Trata-se de uma conveniência política relevante para Lula, que concorre ao quarto mandato em outubro.
"Lula foi hábil, porque a retaliação é arriscada em meio a um processo eleitoral, mas o instrumento está sendo usado com cautela. Por um lado, deu ao presidente o discurso de uma reação de defesa da soberania e de não subserviência, mas esticou o embate direto, e uma possível escalada, para depois do pleito", avalia Lucas de Souza Martins, analista da relação Brasil e EUA e professor da Temple University, na Pensilvânia. Segundo ele, "tanto Brasil quanto Canadá se mostram hoje uma ameaça relevante à política tarifária de Trump".
Acompanhar a reação dos EUA contra os canadenses e de que maneira eles voltarão à mesa de negociação com os americanos pode ajudar o Brasil em suas negociações futuras. Integrantes do Planalto negam que tenha havido conversa entre os governos brasileiro e canadense, ambos de partidos mais à esquerda, para afinar um padrão de resposta combativa aos EUA.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.