Protestos ameaçam adesão à UE, não o governo, diz premiê da Albânia
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou, neste domingo (18), os pedidos para que renunciasse ao cargo.
Ele afirmou que os protestos de rua — que entraram em seu sexto dia — não representam uma ameaça ao seu governo, mas sim ao desejo do país de ingressar na União Europeia.
As manifestações, lideradas por estudantes e impulsionadas pela indignação com a suposta corrupção governamental, a escassez de empregos e a precariedade do sistema educacional, tomaram conta do centro de Tirana e se espalharam por outras cidades ao longo da última semana.
Manifestantes que exigem a renúncia de Rama incendiaram prédios públicos e agências bancárias, quebraram vitrines de lojas e arrancaram pedras do calçamento para arremessar contra a polícia.
Leia Mais Milhares protestam na Albânia e exigem renúncia do primeiro-ministro Manifestantes disparam fogos de artifício contra a polícia na Albânia Ao menos 167 pessoas foram presas em protestos na Albânia, diz polícia A violência voltou a eclodir neste domingo, quando milhares de pessoas se reuniram em frente ao Ministério da Educação e lançaram pedras contra a tropa de choque, que respondeu com gás lacrimogêneo, jatos d’água e balas de borracha.
A onda de agitação — que sucede meses de protestos majoritariamente pacíficos ocorridos durante o verão contra um empreendimento de luxo no litoral, apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump — representa o maior desafio enfrentado até agora por Rama.
Ele governa o país desde 2013 e, no ano passado, conquistou seu quarto mandato.
“Não sou eu quem está sendo desafiado, nem o governo, nem a maioria governista ou o partido vencedor das eleições; o que está em xeque é um caminho, uma missão”, declarou Rama em uma transmissão ao vivo pelo Facebook.
“Os albaneses precisam refletir com clareza: o que eles querem? Querem isso, querem aquilo, ou querem a União Europeia?” UE condena atos de violência Rama convidou os estudantes para um diálogo, enquanto, no domingo — antes do início dos protestos —, escavadeiras removiam as pedras do calçamento em frente ao seu gabinete, no centro de Tirana.
“Isso, de forma alguma, vai deter os manifestantes.
O objetivo é apenas eliminar qualquer possibilidade de proteção para os manifestantes contra a polícia.
É só isso”, afirmou Elton Prendi, de 40 anos, morador de Tirana.
A Comissão Europeia condenou o uso de violência em Tirana e em outras cidades, ao mesmo tempo em que saudou o compromisso das autoridades em proteger o direito da população de protestar.
Segundo a chancelaria austríaca, Rama cancelou uma reunião que estava agendada para segunda-feira, em Viena, com o chanceler austríaco Christian Stocker.
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