MPF ajuíza ação contra faculdade por uso de cadáveres do Hospital Colônia
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública em desfavor da Faculdade de Ciências Médicas pelo uso de cadáveres do Hospital Colônia de Barbacena , em Minas Gerais.
A decisão foi aplicada contra a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o estado de Minas Gerais e a União.
A medida busca a reparação histórica pela mercantilização de pacientes do antigo hospital psiquiátrico, cujos corpos foram vendidos e utilizados para dissecção na universidade entre 1971 e 1975.
A petição, assinada pelos procuradores da República Angelo Giardini de Oliveira e Edmundo Antonio Dias Netto Junior, busca a responsabilização histórica e a implementação de medidas de Justiça de Transição para reparar as graves violações de direitos humanos cometidas contra internos da instituição mineira.
Leia Mais Organização desviou R$ 27 milhões na compra de livros no MS PF deflagra operação interestadual contra fraudes de residências médicas MS: Operação mira grupo que desviou verba e remédio de pacientes com câncer De acordo com as investigações, pelo menos 105 corpos de pessoas internadas compulsoriamente foram vendidos para a faculdade para fins de dissecção e ensino médico .
Documentos históricos revelam que cada corpo era comercializado por 50 cruzeiros novos, valor destinado a cobrir custos de conservação e transporte.
O Hospital Colônia ficou conhecido como o epicentro do chamado “Holocausto Brasileiro”, no qual estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido em condições desumanas.
Outros casos A atuação integra uma estratégia sistêmica do MPF para apurar responsabilidades sobre a política de internação compulsória em massa no estado de Minas Gerais.
“O conceito de Justiça de Transição envolve o dever do Estado de reparar violações massivas do passado por meio de quatro pilares: o direito à memória e à verdade, o direito à justiça, a reparação integral e a garantia de que tais horrores não se repitam”, informaram em nota.
Casos semelhantes envolvendo outras instituições de ensino já foram resolvidos em outras ocasiões.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em abril de 2026, reconheceu formalmente a prática e emitiu um pedido público de desculpas à sociedade, comprometendo-se a criar espaços de memória e incluir o tema em seus currículos.
Da mesma forma, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) assinou compromissos em maio de 2026, após admitir o recebimento de 169 corpos para atividades didáticas.
MPF aciona Justiça e pede suspensão de aumento do etanol na gasolina | CNN AGRO NEWS Medidas Diferente das outras universidades, a Faculdade de Ciências Médicas não chegou a um consenso com o MPF durante as reuniões administrativas, o que tornou o processo judicial necessário.
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