‘Lula fez história’: como a imprensa mundial repercutiu a vitória sobre Flávio Bolsonaro
A dramática vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno repercutiu de maneira ampla nos principais jornais internacionais.
Nesta segunda-feira, 26, veículos nos Estados Unidos , Europa e América Latina definiram a virada sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) como “histórica”, depois que, aos 80 anos, o petista garantiu o quarto mandato ao reverter uma desvantagem do primeiro turno, fato sem precedentes desde a redemocratização.
A longevidade política de Lula chamou a atenção da revista britânica The Economist , que o comparou ao presidente americano Franklin Roosevelt (1933-1945) ao ressaltar sua entrada no clube de mandatários eleitos quatro vezes e que desafiam a força da gravidade.
O americano The Wall Street Journal enfatizou que seus 16 anos não consecutivos no Planalto igualam o tempo de poder de Angela Merkel, ex-chanceler alemã que também foi uma espécie de líder da Europa.
Analistas estrangeiros viram a consagração de um sobrevivente político, capaz de superar prisões e graves adversidades.
“É talvez a virada mais dramática da história política do Brasil (…) Lula, que a maioria dos analistas considerava ‘morto e enterrado’ após o primeiro turno, fez história”, escreveu a Economist .
“Ao final, a maioria dos brasileiros decidiu que (Flávio) Bolsonaro era inaceitável.” O WSJ completou: “Lula segurou-se no poder ao orquestrar uma vitória surpreendente (…) consolidando seu lugar como um dos líderes democraticamente eleitos mais longevos do mundo” e o “último grande baluarte restante da esquerda na América do Sul”.
Ao mesmo tempo, a imprensa global sublinhou a extrema polarização do pleito.
Com 51,8% dos votos contra 48,2% de Flávio, a margem estreita escancarou uma nação dividida, enquanto diários como o argentino Clarín e o britânico The Guardian notaram que, a despeito das multidões que celebraram o petista, o bolsonarismo reafirmou uma base eleitoral expressiva e resiliente.
Continua após a publicidade Revés à onda conservadora e recado a Trump Para a cobertura internacional, a eleição representou um golpe direto na onda conservadora que avançava sobre a América Latina.
O Guardian avaliou o desfecho como uma derrota para Donald Trump, que embora não tenha endossado oficialmente a candidatura de Flávio, apoiava abertamente a família Bolsonaro.
Já o New York Times destacou que o triunfo de Lula interrompeu uma sequência de vitórias da direita na América Latina nos últimos meses “Foi um golpe impressionante na onda conservadora que varre a América Latina” e uma “perda para o presidente Donald Trump, que havia abraçado a família Bolsonaro e a ascensão da direita na região”, escreveu o NYT .
O Wall Street Journal também frisou que os discursos de vitória de Lula ganharam relevo ao bater na tecla da soberania.
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