Ex-presidente da Câmara aposta em aproximação de Lula com o Centrão para governar em 2027
O deputado federal eleito João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara durante o primeiro mandato de Lula , avalia que o principal desafio do governo a partir de 2027 será construir uma aliança com o Centrão para garantir governabilidade.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista , de VEJA, ele afirmou que a maioria da Câmara continua concentrada em partidos de centro e disse acreditar que parte da direita pode se afastar do bolsonarismo na próxima legislatura.
Segundo Cunha, a correlação de forças no novo Congresso não deve ser resumida a uma divisão entre esquerda e direita.
Ele citou a existência de aproximadamente 130 deputados de PL e Novo e de um número semelhante reunindo a Federação PT-PCdoB-PV, PSOL e PSB.
Para ele, a disputa central estará no Centrão, formado, em sua avaliação, por seis partidos que somam mais de 257 deputados.
“O papel do governo Lula agora é jogar pontes para que traga e atraia o Centrão”, afirmou.
Para ele, a aproximação não servirá apenas para assegurar apoio político, mas também para viabilizar políticas públicas prometidas durante a campanha.
Cunha disse ter uma visão mais otimista que a apresentada pelo editor de VEJA Robson Bonin, que havia apontado ceticismo sobre a capacidade de o governo sustentar uma aliança com o centro diante das dificuldades fiscais.
Continua após a publicidade Cenário fiscal Cunha reconheceu que a preocupação com o endividamento e com o cumprimento das promessas eleitorais é procedente, mas argumentou que o nível da dívida deve ser analisado em relação à capacidade de geração de receita da economia.
Para ele, o ponto central da política econômica no próximo período será a trajetória dos juros.
“Nós temos que fazer todos os esforços pra reduzir os juros”, disse, defendendo pressão sobre o Banco Central e seu presidente, Gabriel Galípolo.
Na avaliação do deputado eleito, programas apresentados durante a campanha podem ser implementados gradualmente, permitindo que sejam acomodados no Orçamento ao longo do tempo.
Ele citou o Pé-de-Meia Universitário e a tarifa zero aos finais de semana como iniciativas que não precisariam ser executadas de maneira uniforme e imediata em todo o país.
Cunha afirmou que o governo deverá combinar essas medidas com rigor fiscal.
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