Pavor, correntes e cadáveres: como a Roma Antiga inventou as histórias de fantasma
Tente imaginar a cena: você está sozinho à noite, sob a luz fraca de uma vela de cera, tentando concentrar-se na leitura.
De repente, o silêncio da casa é quebrado por um barulho metálico e estridente que vem do corredor.
O som de correntes arrastadas pelo chão fica cada vez mais alto, até que uma figura pálida e macabra surge na porta do seu quarto.
A cena parece ter saído de um filme de terror contemporâneo, mas esse relato foi escrito há quase 2 mil anos.
Em uma carta enviada por volta do ano 100 d.C., o respeitado advogado e político romano Plínio, o Jovem, pedia a ajuda de um amigo influente para responder a uma dúvida perturbadora : afinal, fantasmas existem ou são apenas fruto da nossa imaginação? Para embasar seu dilema, Plínio relatou o caso de uma mansão abandonada em Atenas.
Um filósofo corajoso decidiu alugar a residência a preço de banana e acabou cara a cara com o espectro acorrentado.
Em vez de fugir em pânico, o pensador acompanhou o vulto até o quintal, onde a aparição simplesmente afundou na terra.
No dia seguinte, ao escavar o local indicado, as autoridades encontraram uma ossada humana presa a correntes de ferro.
Leia Mais Sebastian Stan afirma que quase protagonizou "The Vampire Diaries"; entenda Halloween 2026: saiba qual filme de terror do ano é o mais buscado "Obsessão" retorna aos cinemas em Temporada do Terror ao lado de clássicos A maldição dos corpos sem funeral Na cultura romana, relatos como esse não serviam apenas para dar sustos ao redor da fogueira.
A literatura da época mostra que o grande terror dos antigos não era a morte em si, mas a falta de um sepultamento adequado.
Segundo a crença popular do Império Romano , a alma de alguém cujo corpo não recebesse os rituais fúnebres corretos ficava presa à Terra, condenada a vagar e a aterrorizar os vivos até que seus restos mortais fossem enterrados com dignidade.
Foi exatamente o que aconteceu na mansão de Atenas : assim que os ossos foram enterrados com os ritos tradicionais, a assombração cessou para sempre.
Contudo, nem todas as figuras espectrais representavam fantasmas de falecidos.
Os antigos romanos também registravam encontros com aparições gigantescas e semidivinas que moldavam os rumos da história política.
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