Juiz condiciona fim de ação contra Guaicurus à melhoria dos ônibus
A ação judicial que acompanha a intervenção no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, só deverá chegar ao fim quando a Justiça verificar os resultados da possível venda da empresa para um grupo de Goiás.
O juiz Eduardo Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, pretende manter o acompanhamento do processo até confirmar se a mudança de controle resultará na renovação da frota, no cumprimento dos horários e na melhoria dos serviços prestados aos passageiros.
Em entrevista ao Campo Grande News , o magistrado afirmou que considera positiva a possibilidade de transferência do controle do consórcio para uma empresa que já atua em Goiânia (GO), referindo-se ao Grupo HP Mobilidade, responsável pela Maas Administração e Participações.
Trevisan explicou que o encerramento da intervenção administrativa, conduzida pelo município, não significa necessariamente o fim da ação judicial.
Mesmo que a Prefeitura conclua essa etapa, em janeiro de 2027, como está previsto, a Justiça poderá continuar acompanhando os resultados para verificar se as medidas adotadas resolveram os problemas que motivaram a intervenção.
"Eu, eu acho que essa intervenção que ocorre a partir da provocação do judiciário, ela está sendo extremamente satisfatória, porque nós estamos com a possibilidade, se tudo se concretizar, de que se confirme essa venda do Consórcio Guaicurus, que creio que não vai deixar saudade para ninguém em Campo Grande, e vai entrar uma empresa que atua em Goiânia, com poder econômico e financeiro, com a rápida troca de ônibus por ônibus novos, com ar-condicionado", citou.
O juiz pretende encerrar o processo somente quando houver elementos que demonstrem uma melhora efetiva no transporte coletivo.
Entre os critérios mencionados estão a chegada de novos ônibus, o respeito aos horários das linhas e a qualidade do atendimento aos usuários.
A negociação com a empresa de Goiás ainda depende de nova avaliação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que vai analisar em plenário se a omissão de informações por parte do consórcio e da Maas sobre intervenção e ação judicial em andamento pode impactar a decisão inicial do conselho, que aprovou a venda das empresas campo-grandenses.
Segundo Trevisan, a decisão que determinou a intervenção teve como fundamento a falta de fiscalização adequada do serviço por parte do município.
Ele ressaltou que o Judiciário não pode substituir a administração pública, mas tem competência para exigir que a prefeitura cumpra suas obrigações de fiscalização.
A intenção é concluir a ação quando a Justiça constatar que as mudanças produziram resultados.
O magistrado espera que a eventual entrada da nova empresa permita superar os problemas que levaram à intervenção.
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