Dar golpe no Brasil ficou ainda mais barato
Entre o fim de julho e o começo de agosto, cerca de US$ 90 milhões eem bitcoin, com estimativas que já passam de US$ 110 milhões, desapareceram de 4.585 carteiras.
As pessoas que perderam esse dinheiro não caíram em nenhum golpe.
Fizeram o contrário do que a gente imagina quando pensa em vítima de fraude: desconfiaram das corretoras, que já quebraram e sumiram com o dinheiro dos clientes mais de uma vez, e pagaram por um cofre físico, dos mais respeitados do mercado, para guardar as próprias chaves.
Foi a escolha mais conservadora que existia.
E foi justamente ela que os expôs.
O que os alcançou foi um defeito de fábrica de 2021.
Um erro no programa do aparelho tornava previsíveis as chaves que deveriam ser sorteadas ao acaso.
A falha ficou cinco anos publicada, à vista de uma comunidade inteira de especialistas em segurança, sem que ninguém a usasse.
Até que, neste ano, alguém conseguiu recalcular essas chaves de longe e esvaziar as carteiras, sem tocar em nenhuma delas.
A leitura fácil é "mais um problema de cripto".
A leitura que importa é outra, e vale para o seu dinheiro esteja ele onde estiver: acabou a era em que as falhas morriam de velhice.
A segurança digital sempre se apoiou num subsídio invisível, o custo de procurar.
Sempre houve mais erros no mundo do que gente capaz de encontrá-los e explorá-los, então a maioria envelhecia junto com os sistemas onde morava, sem nunca ser usada contra ninguém.
O intervalo entre descobrir uma falha e transformá-la em ataque era o tempo de reação de quem defende.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.