Cérebro pode ter evoluído como dois órgãos diferentes, sugere estudo
Desde que descobriram para que serve essa massa úmida e enrugada que temos dentro do crânio (e isso já faz alguns séculos), prevalecia a ideia de que o cérebro era, afinal, uma coisa só.
Mas um novo estudo pode desafiar essa ideia.
Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos EUA, afirmam que o cérebro pode se tratar, na verdade, de dois órgãos diferentes, que evoluíram paralelamente ao longo de milhões de anos, e acabaram espremidos dentro da mesma cavidade.
Um sistema nervoso mais primitivo, encarregado de regular a respiração, os batimentos cardíacos e outras operações automáticas do corpo; e outro responsável por formas de pensamento mais complexas, como a linguagem e o raciocínio.
Memórias sobrevivem mesmo com perda de sinapses, mostra estudo A pesquisa foi divulgada no periódico Nature Neuroscience , no último dia 16, trazendo um modelo inédito do desenvolvimento do cérebro que pode, inclusive, possibilitar novas pesquisas sobre doenças graves do sistema neurológico – como a Atrofia Muscular Espinhal (AME) e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
“Nós demonstramos pela primeira vez que a parte anterior do cérebro cresce a partir de uma célula progenitora completamente diferente daquela que dá origem à parte posterior do cérebro”, disse, em nota da universidade, o professor Kyle Loh, que co-liderou o estudo.
Até então, cientistas acreditavam que o desenvolvimento do cérebro começava a partir de uma única célula progenitora, isto é, um único ponto de origem, que era comum para todas as células do cérebro formado.
Continua após a publicidade Considerando suas funções, o cérebro costuma ser dividido em três regiões: prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo.
O prosencéfalo (ou encéfalo anterior) é a parte mais frontal, que lida com todo tipo de pensamento mais avançado ou abstrato.
Já o rombencéfalo (ou encéfalo posterior) é a parte mais para trás da cabeça, que cuida do sono, da respiração, da fome e de outras funções essenciais.
No meio, quem conecta os dois é o mesencéfalo (ou encéfalo médio).
Levando isso em conta, doenças que afetam o rombencéfalo – e que, por consequência, afetam as operações automáticas do corpo – podem ser particularmente devastadoras.
A Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença genética rara que prejudica a conexão entre a medula espinhal e os músculos, é a principal causa de morte relacionada a genética para crianças menores de 1 ano.
Estudar essas condições, porém, sempre foi quase impossível, já que os cientistas não poderiam simplesmente extrair os tecidos do rombencéfalo de um paciente vivo para fazerem seus testes.
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