Condenação de R$ 1 bi contra dona do Mounjaro por contaminação cai 99,8%
Uma condenação judicial de R$ 1 bilhão contra a farmacêutica norte-americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, por contaminação química de trabalhadores em Cosmópolis (SP), foi reduzida para R$ 2 milhões pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), um corte de 99,8% do valor original.
A decisão tomada pela última instância da Justiça trabalhista, e que também envolve a empresa ABL (Antibióticos do Brasil), determina ainda que pessoas expostas por mais de duas décadas a cerca de 150 substâncias tóxicas na fábrica no interior de São Paulo terão de provar, individualmente, que suas doenças estariam relacionadas ao ambiente de trabalho.
Segundo o MPT (Ministério Público do Trabalho), autor da ação contra as duas empresas, a contaminação pode ter atingido cerca de cinco mil pessoas, entre trabalhadores, terceirizados e familiares.
De acordo com a investigação do órgão federal, a Eli Lilly enterrou resíduos da produção de medicamentos em tambores de ferro, recipientes de plástico e até diretamente no solo. Os compostos químicos tóxicos teriam contaminado a terra e a água.
Ainda segundo a ação, foram detectadas substâncias cancerígenas nas pessoas expostas, além de registros de malformações congênitas em filhos de ex-funcionários da fábrica.
O MPT ainda está recorrendo da decisão do TST, tomada no final do ano passado. "É absolutamente insuficiente. Do novo valor, metade corresponde ao dano coletivo. Esse valor de R$ 1 milhão se torna irrisório e absolutamente contrário ao que a legislação determina no sentido de reparação desses danos. A Eli Lilly é uma das empresas mais valiosas do mundo", afirma Sebastião Caixeta, subprocurador-geral do MPT.
No segundo trimestre de 2026, a farmacêutica registrou 23 bilhões de dólares em receita, alta de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o ano todo, a empresa passou a projetar receita entre 85 e 87 bilhões de dólares.
A Eli Lilly se instalou em Cosmópolis no fim da década de 1970. Em 2002, a empresa criou a ABL e depois separou as companhias. Na sequência, a ABL assumiu a fábrica na cidade. Por isso, a ação trabalhista envolve as duas empresas.
Durante as tentativas de negociação entre empresas e trabalhadores, as companhias admitiram que pelo menos 22 tipos de doenças ou problemas de saúde teriam alta probabilidade de relação com a exposição aos contaminantes da fábrica, de acordo com a ação.
Em outra ação , um ex-funcionário da fábrica relatou que desenvolveu distúrbios neurológicos e comportamentais (pânico, ansiedade, perda de memória e concentração), hipertensão arterial, mialgias, dores articulares e hepatite química. A a 7ª Turma do TST manteve a condenação da Eli Lilly ao pagamento de indenizações à filha dele em novembro de 2025, que nasceu com mielomeningocele (defeito no fechamento da coluna vertebral do feto) e hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro), de acordo com tribunal.
"Os fatos são incontroversos. Não existe dúvida sobre a ocorrência da contaminação e sobre a participação das empresas.
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