Sem Lula e Flávio Bolsonaro, os debates ainda importam? O que dizem os especialistas
Veja as estimativas de intenção de voto no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
Desde a redemocratização brasileira, poucos momentos se tornaram tão emblemáticos nas campanhas presidenciais quanto os debates eleitorais. Diante das câmeras, candidatos se apresentam para o público, confrontam propostas e, por vezes, protagonizam episódios memoráveis.
O primeiro debate presidencial televisionado após o regime militar aconteceu em 1989. Naquele ano, Fernando Collor de Mello optou por não participar de alguns confrontos.
Nas eleições seguintes — com exceção de 1998, quando não houve debate presidencial — essa ausência estratégica se manteve, com um ou outro candidato que liderava a disputa sempre se ausentando.
Mas uma regra nunca foi quebrada: ao menos um dos principais candidatos à Presidência sempre esteve presente. Em 2026, isso pode mudar.
Marcado para este domingo (23/8), o primeiro debate presidencial deve ocorrer sem a presença dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Lula, que aparece à frente no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil , afirmou que não pretende participar de debates em que, segundo ele, "se fale besteiras".
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou que só comparecerá ao encontro caso Lula também participe.
A tendência é que eles compareçam apenas ao último debate, organizado pela TV Globo no dia 1º de outubro.
Segundo publicado nesta semana pela coluna Painel, da Folha de São Paulo, a campanha de Lula decidiu que ele não vai participar do primeiro encontro na Band alegando falta de igualdade de condições para que o presidente possa se defender dos ataques dos adversários.
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) têm participação garantida no debate por atenderem aos critérios previstos na legislação eleitoral. A Band, contudo, estendeu o convite a Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) que não se enquadram nesses critérios por terem menos de cinco representantes no Congresso Nacional.
Na visão de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a eventual ausência dos dois principais candidatos reduz a relevância do debate porque tira do palco justamente os nomes que concentram a disputa eleitoral.
Com Lula e Flávio fora, o eleitor ainda terá acesso às propostas dos demais candidatos, mas deixará de acompanhar o confronto envolvendo os dois principais nomes da corrida — e, consequentemente, de comparar suas posições diante dos adversários e dos temas discutidos na campanha.
"É evidente que o debate perde a relevância quando a gente pensa na relevância normativa, de que o debate serve para informar a população e, sobretudo, para gerar compromissos", afirma Graziella Testa, professora de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.