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Festival na cidade de Milton Nascimento e Wagner Tiso honra legado dos mineiros

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Festival na cidade de Milton Nascimento e Wagner Tiso honra legado dos mineiros

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Numa noite de sexta-feira, num banquinho em frente à praça central de Três Pontas, no sul de Minas Gerais , três jovens se unem para tocar violão. Pela manhã, uma fanfarra desfila pelas ruas e é seguida por moradores, que dançam. No pôr do sol, uma família leva instrumentos para o cemitério e faz uma serenata para uma centena de pessoas. Obras de Milton Nascimento e Wagner Tiso unem todas as cenas.

A ocasião é o retorno do festival Música do Mundo , que interrompeu um hiato de dez anos, da última quinta-feira até este domingo, com uma edição majoritariamente gratuita em homenagem aos dois filhos mais ilustres da cidade de 55 mil habitantes.

O evento foi criado em 2009 por Maria Dolores, que lançou há 20 anos a biografia "Travessia: A Vida de Milton Nascimento" . A inspiração foi o show "Paraíso", em 1977, quando o artista decidiu levar amigos como Chico Buarque, Clementina de Jesus, Gonzaguinha e Beto Guedes para tocar de graça na cidade em que cresceu. Um monte de pessoas apareceu e o show entrou para a história como o "Woodstock mineiro".

A versão atual tem bem mais estrutura do que aquela, que, em sua casualidade, conseguiu capturar parte do que de mais empolgante acontecia na Música Popular Brasileira . Não é essa a pretensão do Música do Mundo, mas olhar para o legado musical criado dessas figuras célebres numa cidade de interior.

Dos homenageados, só Wagner Tiso, de 80 anos, pôde estar presente —Bituca, que tem 83 anos, recebeu o diagnóstico de demência por corpos de Lewy no ano passado e quase não faz mais aparições públicas. No sábado, quando shows de nomes como Nando Reis , Chico Chico e Beto Guedes aconteceram no palco principal, no aeroporto da cidade, Tiso participou de uma homenagem ao amigo.

Ele subiu ao palco no fim da apresentação do Ânima Minas, um tributo feito a Bituca por músicos trespontanos que trabalharam com ele ao longo da vida, e tocou "Maria, Maria" e "Coração de Estudante" no piano. Naquela tarde, em conversa com a reportagem, elegeu a última como sua parceria preferida com Milton.

"Foi uma espécie de hino das Diretas Já e fez parte do movimento inteiro. Eu fiz essa música para a trilha do filme do Silvio Tendler , ‘Jango’, sobre o João Goulart, e ela se chamava ‘Tema de Jango’", ele afirma. "Aí o Bituca foi ver a estreia do filme comigo e perguntou se podia botar uma letra nela. Eu falei ‘pô, Bituca, não precisa nem pedir’."

A música lançada em 1983 também apareceu na noite anterior, durante a serenata dos Tisos no cemitério. O encontro aconteceu pela primeira vez há 50 anos, depois que Mário Tiso pediu que os familiares tocassem na frente de seu túmulo quando morresse. A celebração cresceu e virou uma tradição da família e da cidade, agora incorporada ao festival.

Foi um dos momentos mais bonitos do evento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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