Tesouro Direto: taxas de prazo mais curto sobem em meio a dúvidas sobre negociação EUA-Irã
Os rendimentos dos títulos do Tesouro Direto nos prefixados e nos atrelados à inflação com vencimento curto operam em alta na abertura das negociações desta quarta-feira (22).
Nos prazos longos, as taxas rondam a estabilidade.
Investidores aguardam a fala do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, na assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU).
Ontem, Donald Trump deu sinais ambíguos sobre um possível avanço diplomático.
Ao mesmo tempo em que disse a repórteres que autoridades dos Estados Unidos tiveram uma reunião “muito boa” de três horas com a delegação iraniana, ameaçou "aniquilar" o Irã em seu discurso oficial.
"Conclamo todas as nações a ajudar a fazer valer o isolamento econômico total do Irã", disse Trump.
A fala foi recebida, inicialmente, com frustração da expectativa de um acordo para reabertura do Estreito de Ormuz.
O preço do petróleo, que caía 2% no início do dia, perdeu o ritmo de queda e voltou aos US$ 100 o barril tipo Brent.
O preço do petróleo recebe especial atenção dos mercados em meio a uma guinada contracionista ("hawkish") dos bancos centrais das principais economias do mundo.
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deu início, na sua reunião deste mês, a um ciclo de alta de juros sem data para acabar, e foi acompanhado pelo Banco Central Europeu (BCE) e outras autoridades monetárias.
No Brasil, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, deu ênfase à pressão da demanda na inflação, ainda que haja sinais de arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação.
“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, disse o BC no documento.
O recado pode alterar as expectativas dos investidores sobre a taxa básica de juros, a Selic, até o final deste ano.
O mercado aumentou as apostas em um novo corte de 0,25 ponto percentual em novembro e atribuía 67% de probabilidade a este cenário até ontem, de acordo com a ferramenta Termômetro do Copom do Valor Investe.
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