Tesouro Direto já atrasa abertura em mais de duas horas em meio a disparada de juros
A abertura das negociações do Tesouro Direto já passa por um atraso de cerca de uma hora nesta segunda-feira (26), em meio à disparada dos juros futuros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos no domingo (25).
Os juros futuros amanheceram com forte alta por toda a curva, especialmente nos trechos mais longos, onde o salto chegou a 182 pontos-base.
Em dias de forte volatilidade, a plataforma do Tesouro Direto pode atrasar a abertura ou suspender temporariamente as operações.
No primeiro pregão após o primeiro turno, as negociações só começaram às 11h28 (horário de Brasília).
“O Tesouro Direto informa que está fechado para negociação devido à alta volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos nesta manhã”, informa o Tesouro, em nota.
“A expectativa é de normalização ao longo do dia.” Leia também Juro longo dispara 182 pontos-base com vitória de Lula; taxas voltam para leilão O movimento reflete a reprecificação do mercado, que esperava por uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) JPMorgan vê taxa de papéis do Tesouro em até 15,5% após reeleição de Lula Banco também reduz recomendação para títulos da dívida brasileira em dólar e para papéis de empresas de maior risco, mas mantém compra em companhias com grau de investimento O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos atrelados à inflação e de prefixados previstos para esta semana e manteve apenas a oferta de LFT, atrelada à Selic.
Pouco depois, o órgão anunciou uma intervenção no mercado, com a recompra de até 5 milhões de NTN-F de cada um dos vencimentos de 2031, 2033 e 2037, repetindo a estratégia adotada em março, durante a pressão causada pela guerra do Irã.
Na recompra, o Tesouro compra de volta papéis que estão com os investidores e absorve parte da pressão de venda sobre os títulos.
Para Bruno Corano, economista da Corano Capital, o mercado já havia precificado boa parte de uma vitória de Flávio e, por isso, a correção com a reeleição tende a ser mais forte e mais rápida.
Ele vê espaço para os juros futuros de longo prazo voltarem à faixa de 14% a 15%, igualando ou superando o nível de antes do primeiro turno, já que o mercado passaria a incorporar também o custo das medidas anunciadas no ano eleitoral.
Na marcação a mercado , o impacto é maior nos títulos mais longos.
Pelos cálculos do InfoMoney , uma alta de 1 ponto percentual na taxa reduziria o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em cerca de 20%, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 perderia cerca de 4,4% e o Prefixado 2029, cerca de 2%.
A conta considera a taxa de fechamento de sexta e o prazo até o vencimento de cada título.
Para o JPMorgan, as taxas dos títulos públicos podem chegar a 15,5% em um cenário pessimista .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.