Alemanha identifica autor de ataque antissemita de 1970
Investigação aponta responsável por incêndio que matou sete sobreviventes do Holocausto, mas suspeito já está morto desde 2020
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Autoridades da Alemanha anunciaram nesta quinta-feira, 20, a identificação do autor de um incêndio criminoso que matou sete sobreviventes do Holocausto em um asilo judaico da cidade, em 13 de fevereiro de 1970. O homem, alemão com histórico de extremismo de direita, morreu em 2020 e não poderá responder pelo crime. Sem indícios de cúmplices, o processo será arquivado novamente .
O incêndio atingiu a única escada de madeira que dava acesso aos apartamentos do prédio, no centro de Munique, e se espalhou rapidamente pelos andares superiores. Cinco homens e duas mulheres, com idades entre 59 e 71 anos, morreram ; outras 15 pessoas ficaram feridas, quatro em estado grave.
O inquérito havia sido encerrado em 2017, quase cinco décadas após o crime. A retomada só ocorreu em abril de 2025 , quando uma testemunha procurou as autoridades com dados inéditos sobre o suspeito, obtidos por meio de um parente próximo dele já falecido.
Conforme nota conjunta divulgada pela promotoria e pela polícia de Munique , a testemunha relatou que mantinha vínculo com um familiar do suspeito na década de 1970 e só revelou o que sabia depois da morte desse parente.
O suspeito tinha 25 anos à época do crime e era figura conhecida nos círculos de extrema direita da cidade . Segundo os investigadores, ele havia sido influenciado desde a infância por um tio que integrara a SS , força paramilitar do regime nazista , e recebido uma arma e uma faca da Juventude Hitlerista aos 12 anos.
Ele também tinha antecedentes por manipular explosivos, incluindo condenação, ainda menor de idade, pela detonação de duas cabines telefônicas nos anos 1960. Antigos colegas de escola relataram aos investigadores que ele demonstrava hostilidade contra judeus .
Na noite do ataque, teria afirmado, próximo ao asilo, que “os judeus têm tudo” e manifestado intenção de atear fogo ao local — o incêndio teria começado cerca de 15 minutos depois, segundo a promotoria.
A legislação alemã não permite abrir processo contra pessoas já falecidas, e a presunção de inocência permanece válida mesmo após a morte . Por isso, a identidade do suspeito não foi tornada pública.
“O homem está morto, e por isso não haverá processo nem julgamento” , afirmou o promotor Andreas Franck , responsável pelo combate ao antissemitismo na Justiça da Baviera.
A ex-presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha , Charlotte Knobloch, lamentou o desfecho: “Me dói muito que o suspeito não possa mais ser levado à Justiça” . Ela acrescentou que o fato de ele ter encerrado a vida sem punição também significou falta de reparação para as vítimas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.