Não prosperou
Uma candidatura presidencial de terceira via não prosperou em razão da nossa persistente polarização Lula/Bolsonaro.
Os sobrenomes Lula e Bolsonaro já determinaram a dupla que disputará o 2º turno da nossa próxima eleição presidencial, algo bastante parecido com o que acontecia no nosso regime imperial, no qual o poder era transferido tomando-se por base apenas a consanguinidade.
Afinal de contas, o PT sem Lula e o bolsonarismo sem Jair Bolsonaro jamais estariam resistindo — a ponto de estarmos prestes a assistir a um passado que ameaça nos trazer sérias preocupações e poucas esperanças.
Quanta saudade a alternância de poder está nos fazendo! Eu, particularmente, não sou torcedor de um 4º mandato para o atual presidente Lula, a exemplo do que aconteceu nos EUA, quando o presidente Franklin Delano Roosevelt exerceu o mandato presidencial de sua República em razão de quatro eleições seguidas.
Portanto, não vejo com bons olhos e plena consciência democrática um 4º mandato para o presidente Lula, menos ainda o retorno de um Bolsonaro à presidência da nossa República, afinal de contas ainda mantenho viva em minha memória a última tentativa de golpe de Estado no nosso país.
Decerto, nos encontramos bastante empobrecidos em matéria de liderança política, mas, ainda assim, não fosse a referida polarização ter fincado as suas raízes, ela não teria impedido o surgimento de novas opções — sobretudo entre os opositores do presidente Lula e, de outro lado, a presença de um aliado do próprio presidente Lula à altura de substituí-lo.
Não por acaso, estamos engolindo a seco e goela abaixo as duas candidaturas mais rejeitadas no vasto leque de candidatos a presidente da nossa República, entre elas a candidatura de Flávio Bolsonaro, ao invés de um Tarcísio de Freitas ou um dos candidatos do PSD, partido de Gilberto Kassab que até se propunha a indicar um nome.
De outro lado, o presidente Lula pretende a reeleição, pois já há bastante tempo se tornou o denominador do atual sistema, e mais ainda após o surgimento do bolsonarismo.
Para a graça ou desgraça do nosso país e da nossa própria democracia, seremos governados por um dos dois lados: Luiz Inácio Lula da Silva ou o próprio Jair Bolsonaro — desta feita, o bolsonarismo representado pelo seu filho Flávio Bolsonaro.
Portanto, nenhuma outra candidatura que venha a ser mantida e ter o seu nome registrado nas nossas urnas eletrônicas atingirá um nível que venha a ameaçar a nossa incômoda polarização política.
Que dos próximos 4 anos tiremos as melhores lições sobre como o nosso sistema político deve proceder em favor da nossa democracia.
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