Varejo no 2T: como cenário macro impactou Casas Bahia, Renner, Magalu e Riachuelo?
Como o cenário macro impactou o varejo no 2º trimestre? A temporada de balanços do setor respondeu a essa pergunta de forma pouco uniforme — inclusive dentro de um mesmo segmento.
Juros ainda elevados, custo de crédito mais alto e um câmbio que só deve ajudar com mais força no segundo semestre pressionaram o consumo e, principalmente, o comércio eletrônico.
Leia também Casas Bahia fala em recuperação extrajudicial ou judicial após prejuízo de R$ 10 bi A companhia começou em 2023 o que chamou de “plano de transformação” e vem implementando medidas operacionais e financeiras destinadas à melhoria de sua eficiência, rentabilidade e geração de caixa Mas o cenário macro não impediu que a Riachuelo entregasse resultado recorde, tampouco explica sozinho por que a Lojas Renner, do mesmo setor de moda, cortou o guidance de crescimento e viu as ações desabarem — sinal de que execução e competitividade seguem pesando tanto quanto o pano de fundo econômico.
Começo de ano fraco, mas com espaço para surpresa Antes da divulgação dos números, casas de análise já sinalizavam que o 2º trimestre poderia surpreender positivamente após um primeiro trimestre fraco.
O JPMorgan avaliou que o setor de vestuário teria um trimestre melhor do que o esperado , com demanda “mais resiliente do que o esperado”, citando como fatores favoráveis a queda de temperaturas no fim de maio — que estimulou as vendas de inverno —, estoques mais equilibrados e melhor execução comercial das varejistas.
O câmbio mais favorável também foi citado como driver, ainda que com efeitos mais visíveis apenas no segundo semestre.
Já o Morgan Stanley manteve postura seletiva, priorizando companhias com exposição a tendências estruturais de crescimento, como o comércio eletrônico, além de varejistas de desconto e empresas com baixa alavancagem — um recorte que ajuda a explicar por que o mercado tratou de forma tão diferente os resultados que vieram a seguir.
Na época, as ações do setor negociavam a múltiplos considerados atrativos, próximos de 8 vezes o lucro projetado para 2026, com C&A ( CEAB3 ) por volta de 6 vezes e Lojas Renner ( LREN3 ) a 8,7 vezes.
Para o 2º trimestre, os analistas projetavam crescimento de vendas em mesmas lojas de 3,5% a 5% na C&A, cerca de 6% na Riachuelo e por volta de 2% na Lojas Renner.
O JPMorgan alertava, no entanto, que havia “pouco espaço para decepções nos resultados”, já que boa parte dos investidores locais já mantinha posições relevantes no setor.
Riachuelo: lucro recorde reforça a resiliência da moda Entre as varejistas de vestuário, a Riachuelo ( RIAA3 ) foi a que melhor validou a tese de recuperação.
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