PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por crimes financeiros
A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre irregularidades do Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público do Distrito Federal, além de outras pessoas envolvidas na operação, incluindo ex-diretores dos dois bancos.
A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB, principalmente por causa da fabricação de falsas carteiras de crédito consignado.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não houve prejuízo ao BRB porque as carteiras de crédito consignado foram substituídas por outros ativos e pediu a revogação de sua prisão.
A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que ele não tinha conhecimento das irregularidades nas carteiras de crédito e que cumpriu ordens do acionista majoritário (o governo do Distrito Federal) ao realizar o negócio com o Master (leia a íntegra ao final).
Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, induzir a erro investidor de operação financeira, fraudar fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Esses crimes somados têm pena mínima de 12 anos e pena máxima de 41 anos.
Sua situação ainda deve ser agravada porque Vorcaro é apontado como líder da organização criminosa.
Já Paulo Henrique foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
“A vinculação de VORCARO aos fatos não decorre apenas de sua posição formal no Banco Master, mas de sua participação pessoal, reiterada e diretiva na obtenção das bases de dados, na formação e cessão das carteiras, na captação de recursos junto ao BRB, na produção posterior dos documentos de suporte e na definição das respostas apresentadas ao banco adquirente e ao Banco Central.
Merece especial atenção o esforço de DANIEL BUENO VORCARO, ex-controlador do BANCO MASTER, para conferir aparência de normalidade de mercado às operações celebradas com o BRB.
A versão apresentada em oitiva, entretanto, contrasta frontalmente com os elementos expostos neste relatório, os quais demonstram que as operações bilionárias foram estruturadas e executadas sem a observância de procedimentos elementares de diligência, validação de lastros, governança, conformidade e gestão de riscos exigidos pelo Sistema Financeiro Nacional”, escreveu a PF.
O relatório final da PF apontou que a cessão de créditos do Master ao BRB foi maior do que o calculado inicialmente e continuou ocorrendo mesmo depois que o Banco Central barrou a venda da instituição de Vorcaro ao banco público do DF.
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