Quem molda o mapa-múndi que consumimos?
Na última década, realizei diversas pesquisas – desde o mestrado até o pós-doutorado – que giram em torno de uma questão central: o papel da mídia na construção do imaginário geopolítico das pessoas, em especial de estudantes do ensino médio.
Para tanto, tenho investigado como os grandes conglomerados de imprensa não apenas informam, mas atuam ativamente para moldar visões de mundo alinhadas aos interesses de determinados eixos de poder econômico e militar.
Em meus estudos acadêmicos e em artigos publicados em veículos como a Fórum , busco desconstruir o discurso da chamada “grande mídia” – representada por Grupo Globo, Folha e congêneres.
Dessa forma, analiso as “armadilhas discursivas” e mecanismos de manipulação utilizados em coberturas internacionais.
Essas armadilhas operam, fundamentalmente, por meio do que chamo de “atalhos cognitivos” – recursos discursivos que, diante de um mundo demasiadamente complexo, buscam tornar a geopolítica rapidamente digerível para o público.
Longe de terem fins meramente didáticos, tais atalhos cumprem uma função ideológica: estão a serviço das potências imperialistas, notadamente dos Estados Unidos.
O mais comum deles é o maniqueísmo, que reduz o xadrez global a um confronto entre o “bem” e o “mal”.
Nessa lógica binária, nações aliadas de Washington são representadas sob a luz positiva de “moderadas” ou “democráticas”, enquanto seus adversários são sistematicamente radicalizados ou demonizados – como ocorre com a Rússia, a Palestina e a Venezuela.
A isso se somam os rótulos e estereótipos – o “ditador maluco”, o “terrorista fanático”, o “paladino da democracia” – que empobrecem a realidade ao mesmo tempo que a tornam familiar.
Por fim, há a personalização: a geopolítica, campo de forças econômicas, históricas e sociais profundas, é reduzida a um confronto entre líderes.
Guerras e crises são explicadas não por suas causas estruturais, mas pela suposta loucura ou maldade de um indivíduo – como se a remoção de Benjamin Netanyahu, por exemplo, fosse suficiente para resolver o genocídio em Gaza.
O resultado é uma visão pasteurizada do mundo, na qual o que é complexo é simplificado, o que é contraditório é omitido e o que é desconfortável para a narrativa dominante é suavizado.
Essa preocupação com a desconstrução do discurso midiático se estende à sala de aula, como trabalhei no livro “A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes” (em parceria com Vicente de Paula Leão).
Na obra, relato as pesquisas empíricas que fiz em 2017, por meio da aplicação de questionários a estudantes do ensino médio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.