Lula ou Flávio terá de “ceder cada vez mais” ao Congresso, diz cientista político
Quem vencer a eleição presidencial de 2026 deve chegar ao Palácio do Planalto com menos espaço para impor sua própria agenda do que presidentes de outras épocas.
Na avaliação do cientista político Carlos Melo, professor do Insper, o fortalecimento do Congresso alterou de forma estrutural a relação de forças entre Executivo e Legislativo.
Durante o Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , Melo afirmou que esse cenário vale tanto para uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
“Qualquer que seja o Executivo, na minha percepção, vai dançar.
Nenhum Executivo hoje, com esse perfil que a gente tem de enfraquecimento do Executivo por uma hipertrofia do Legislativo, vai ter condição de fazer maioria com facilidade.
Vai ter que ajoelhar no milho e vai ter que ceder cada vez mais ao Congresso, porque não vai fazer maioria”, afirmou.
“2030 já começou”: Tarcísio, Nikolas e Renan já jogam a próxima eleição, diz analista A mudança está ligada, segundo Melo, ao aumento da autonomia financeira dos parlamentares.
Bancadas maiores significam mais acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral, enquanto as emendas parlamentares ampliaram a capacidade de deputados e senadores de direcionar recursos sem depender tanto do Palácio do Planalto.
“Os parlamentares já terão fundo partidário, fundo eleitoral, emendas que são de liberação obrigatória.
Então, eles vão exigir cada vez mais dos Executivos.
Os Executivos se enfraquecem e perdem poder de agenda”, disse.
O diagnóstico ajuda também a explicar o comportamento dos partidos do chamado Centrão nesta eleição.
Para Melo, muitas legendas não fazem seu cálculo eleitoral a partir de uma escolha programática entre Lula e Flávio, mas da necessidade de eleger bancadas grandes e preservar espaço político em qualquer cenário.
Leia também Lula diz que só vai dar aval a embaixador dos EUA após eleição e que falará com Trump Presidente afirma que governo americano quer ‘apressadamente’ que Brasil conceda o agrément, mecanismo que rege as relações diplomáticas Kassab diz que Centrão está com Lula e vê chance “zero” de vitória de Flávio Vice de Ronaldo Caiado afirma que partidos de centro já se inclinaram para o presidente e aposta em crescimento da chapa do PSD com mais tempo de TV “Se numa determinada região o candidato à Presidência da República tem mais entrada e vai fazer mais parlamentares, então é melhor não brigar com ele.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.