Itaú, Bradesco, Santander e BB: o que balanços do 2T dizem sobre cautela do setor?
A temporada de balanços de bancos do segundo trimestre de 2026 parece não ter sido capaz de animar o mercado — nem mesmo nos casos em que os números vieram acima do esperado .
O tom de cautela se repetiu em praticamente todos os grandes bancos listados no país.
Itaú ( ITUB4 ), Bradesco ( BBDC4 ) e Santander Brasil ( SANB11 ) já haviam reportado seus números do segundo trimestre quando o Banco do Brasil encerrou a temporada, na quarta-feira (12).
Entre as quatro maiores instituições financeiras do país, a mensagem ecoou em uníssono: redução da exposição a tomadores mais arriscados e ao crédito sem garantia.
Os bancões estão redobrando a postura cautelosa na concessão de crédito, dando continuidade a uma migração para produtos com garantia e para clientes de renda mais alta.
Leia também Casas Bahia fala em recuperação extrajudicial ou judicial após prejuízo de R$ 10 bi A companhia começou em 2023 o que chamou de “plano de transformação” e vem implementando medidas operacionais e financeiras destinadas à melhoria de sua eficiência, rentabilidade e geração de caixa O movimento acontece mesmo diante de um mercado de trabalho ainda forte e de uma economia que segue superando expectativas — mas também diante de sinais cada vez mais claros de deterioração nas finanças das famílias brasileiras.
Para Katherine Hennings, analista da consultoria BRCG, a postura reflete “um reconhecimento mesmo e uma lembrança de que o cuidado nas concessões de crédito pode ser ainda mais apurado”.
Segundo a analista afirmou à Reuters, essa cautela crescente sinaliza a preocupação dos bancos com uma possível desaceleração da economia brasileira, depois de um ciclo de expansão que foi parcialmente sustentado pelo aumento do endividamento das famílias.
Saiba mais: Renda recorde é engolida por inflação e juros altos, que espremem bolso das famílias Hennings lembra que, historicamente, períodos de forte expansão do crédito acompanhados por rápida elevação do endividamento das famílias tendem a ser seguidos por desacelerações mais profundas do consumo — como ocorreu no Brasil entre 2011 e 2015.
Piora nas finanças O que torna o momento atual diferente, e potencialmente mais preocupante quando o crescimento perder força, é que a piora nas finanças das famílias está acontecendo mesmo com desemprego baixo e renda em alta: o comprometimento de renda das famílias brasileiras já ronda os 50% da renda disponível, próximo de recordes.
Essa combinação, segundo a analista, tem origem em fatores estruturais e conjunturais.
Do lado estrutural, mudanças regulatórias, a expansão das fintechs e a rápida adoção de meios digitais de pagamento ampliaram o acesso ao crédito para consumidores que antes ficavam de fora do sistema bancário tradicional.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.