Político que monitorou Dino no MA é alvo em apuração de assassinato no STF
Raimundo Cutrim, o ex-secretário de Segurança do Maranhão que, segundo a Polícia Federal, violou sistemas de acesso restrito para monitorar carros e trajetos feitos pelo ministro Flávio Dino e repassá-los a um comunicador local, é alvo de investigação por suspeita de oferecer propina para ocultar o nome de políticos do Estado no caso do assassinato de um empresário em 2022.
Ao chegar ao Supremo, em 24 de outubro do ano passado, a queixa contra Cutrim e outras autoridades foi sorteada para o gabinete de Dino. O ministro, portanto, é relator da investigação sobre os mandantes do assassinato. O monitoramento dele e de sua família no Maranhão começou dias depois e foi notificado pela Secretaria de Segurança do Supremo à PF em novembro.
A investigação sobre o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, em 2022, chegou ao Supremo porque o homem condenado pelo crime, Gilbson Cutrim, impetrou um habeas corpus na corte acusando o ex-secretário e aliados de terem oferecido propina à sua família para que ele isentasse políticos do Estado com o crime.
Parte das conversas de Raimundo foi gravada, segundo apurou a coluna, e o material foi entregue à Polícia Federal. A apuração corria no Superior Tribunal de Justiça (STJ), exatamente por alcançar pessoas com foro de prerrogativa no Maranhão, mas a família de Gilbson recorreu ao Supremo entregando indícios de envolvimento de integrantes do próprio STJ com o grupo político investigado.
A alegação de vínculo de integrantes do STJ com pessoas citadas no grupo político investigado no assassinato foi robustecida por uma série de comunicações capturadas por investigadores da PF que estavam a cargo de outro caso, o dos crimes ocorridos no INSS. Todo o material foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator desta investigação, que decidiu compartilhar os documentos com o gabinete de Dino, por entender que havia em comunicações entre um parlamentar e um integrante do STJ, conexão com o caso.
O gabinete de Dino recebeu o habeas corpus de Gilbson em outubro de 2025 e instaurou a apuração sobre as diversas frentes do caso, cujo ponto central é um assassinato.
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