O deputado que pastoreia decisões do Supremo
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Uma operação autorizada por Flávio Dino contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) expôs suspeitas de tráfico de influência em tribunais superiores e ligações com ministros.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora , do Canal UOL . O podcast de notícias do UOL, com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo , está disponível nas principais plataformas. Ouça aqui .
Segundo Toledo, o deputado - influente na bancada evangélica - aparece em mensagens e documentos anexados ao relatório da Polícia Federal que embasou a operação, com indícios de que ele atuava para aproximar clientes de ministros do STF e de outros tribunais.
O que a gente vê nas trocas de mensagens e nos documentos que foram anexados nessa operação, que vieram a público até agora no relatório da Polícia Federal, é o Cezinha de Madureira na ponta de fazer aproximação com ministros do Supremo, não só com o André Mendonça, mas com o Kássio, também com outros ministros, inclusive do STJ. Uma [advogada] captava clientes, via empresas e pessoas que tinham interesse em julgamento, e a outra redigia os contratos e fazia a intermediação entre o cliente e o Cezinha, que ia representar os endereços desses clientes junto aos ministros das Côrtes Superiores. Isso é claramente um tráfico de influência. José Roberto de Toledo
Ele diz que a operação atingiu também advogadas que, nas mensagens citadas no programa, tratavam o deputado como alguém capaz de "emplacar" nomes em cargos de poder. Para Toledo, esse ponto ajuda a explicar a proximidade atribuída a Cezinha com o ministro André Mendonça.
Provou-se agora que ele tem ligações tão íntimas com o André Mendonça que, nas trocas de mensagens entre ele e as advogadas que também foram alvo dessa operação, elas falam pra ele: "Ah, você vai emplacar mais um." Na visão dessas advogadas, foi o Cezinha de Madureira quem emplacou o ministro no governo Bolsonaro. José Roberto de Toledo
Toledo afirma que uma das advogadas foi detida temporariamente no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 510 mil em dinheiro vivo em uma mala, quando iria para Brasília. O dinheiro, diz ele, foi retido, e a explicação apresentada foi de que se tratava de honorários.
O caso, na avaliação dele, pode enfrentar impasses por envolver um deputado federal com foro no STF, ao mesmo tempo em que a investigação cita ministros. "Como é que vai fazer o sorteio da relatoria? O presidente vai avocar pra si?", questiona.
O episódio também puxou outro fio, segundo Toledo: a revelação de que Cezinha empregou no gabinete na Câmara um ex-oficial da Polícia Militar de São Paulo expulso da corporação e investigado por suspeita de ligação com o PCC, lavagem de dinheiro e participação em crime organizado.
Cezinha empregou como secretário parlamentar, ganhando R$ 10 mil por mês, um ex-sargento da PM que foi expulso. Ele ainda está sendo investigado pelo GAECO por associação ao Primeiro Comando da Capital, por lavagem de dinheiro e participação no crime organizado.
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