Camisetas também são atos políticos
Há pouco estava andando pelas calçadas de Paraty (RJ), decidindo qual seria o tema do artigo de hoje.
São tantos assuntos tão urgentes e importantes que defino no dia.
Pensei nos trágicos, porém esperados crimes de feminicídio e infanticídio – esperados porque na maioria deles já estava aplicada a Lei Maria da Penha.
Na importância de pesquisar para votar no Legislativo.
Pensei no caos climático e no que fazer para sofrer menos, porque vamos sofrer, já estamos sofrendo e nos resta estar preparados para a falta de luz, chuvas intensas, calor insuportável e falta de água.
Pensei em doenças que podem ser evitadas com prevenção ou tratadas de forma mais eficaz com diagnóstico precoce.
E assim, andando apressada entre um compromisso burocrático e outro, com uma reunião de pauta na minha cabeça, um senhor asiático me parou na rua: com licença, concordo com a sua camiseta, precisamos votar nelas.
Não uso essa camiseta (Vote Nelas, tenho três) apenas em eventos, porque usá-la significa estar em campanha por mais mulheres na política, em qualquer tempo e lugar.
E pelo jeito, faz efeito.
Ele me pediu 30 segundos.
Falou sobre os índices de violência contra mulher, que precisamos limpar o Congresso, tirar esses negacionistas, fundamentalistas e destruidores do planeta, que mulheres são 53% da população brasileira e que são pouco representadas, que podem decidir as eleições.
Que a população precisa entender a importância dos votos em deputados e senadores, pois são eles que criam e aprovam Projetos de Lei.
Que mulher precisa votar em mulher.
Antes que ele continuasse falando tudo que já sei, me apresentei.
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