Juros dos EUA voltam a disparar e atingem nova máxima de 19 anos; qual impacto no Brasil?
Os rendimentos pagos pelos títulos do Tesouro americano (os Treasuries) voltaram a disparar nesta quarta-feira (23), com o rendimento do papel de 10 anos superando 5,1% e renovando o maior nível desde julho de 2007, período que antecedeu a crise financeira global de 2008.
A taxa chegou a 5,104%.
O rendimento do título de dois anos, mais sensível às expectativas para os juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), saltou para 4,914%, maior nível desde maio de 2024.
O papel de 30 anos voltou a se aproximar de 5,4%.
A nova disparada acompanha uma forte mudança nas apostas para os próximos passos do Fed.
A probabilidade de uma nova alta de 0,25 ponto percentual já na reunião de outubro saltou de 55% na terça-feira para 73% nesta quarta, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
Há apenas um mês, essa possibilidade era inferior a 10%.
O que aconteceu? Dados divulgados nesta quarta mostraram que a economia americana continua aquecida.
O índice de atividade do setor de serviços calculado pela S&P Global subiu de 56,5 pontos em agosto para 58,7 em setembro, maior nível em quase cinco anos.
Ao mesmo tempo, os custos das empresas tiveram a maior alta em quatro anos, pressionados principalmente pelo encarecimento dos combustíveis e dos transportes.
Economia forte e custos em alta reforçam o receio de que a inflação demore mais para voltar à meta de 2% do Fed.
E o que isso tem a ver com o Brasil? Os títulos do Tesouro americano são uma referência para os investimentos ao redor do mundo.
Quando um papel de dez anos dos Estados Unidos passa a pagar mais de 5% ao ano, ativos considerados mais arriscados precisam oferecer retornos maiores para continuar atraentes.
Isso pode reduzir o apetite por mercados emergentes, como o Brasil, pressionar o real frente ao dólar e pesar sobre a bolsa.
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