Ibovespa sucumbe ao salto do petróleo e à escalada dos juros nos EUA
A trégua que os mercados encontraram ontem durou pouco.
Depois de uma sessão marcada pela expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, a quarta-feira (23) trouxe de volta a cautela.
O petróleo retomou a alta, enquanto os juros americanos dispararam diante de sinais de uma economia ainda forte e de uma inflação que continua longe de dar o conforto necessário para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
No embalo da aversão global ao risco, o Ibovespa recuou 0,86%, aos 185.814 pontos, reduzindo os ganhos na semana para 0,3%.
No mês, sobe 4,7% e, no ano, 15,3%. s O petróleo, que havia recuado por cinco sessões consecutivas e chegado a ficar abaixo dos US$ 100 na véspera, voltou a subir diante das novas dúvidas sobre o desfecho das negociações entre EUA e Irã.
A commodity segue refletindo os riscos de interrupção no fornecimento de petróleo no Oriente Médio, diante de novas incertezas sobre os rumos das negociações.
O Brent para novembro terminou o dia com alta de 3,9%, a US$ 103,08 por barril.
O WTI para novembro avançou 1,8%, a US$ 92,16.
Entre as ações negociadas na bolsa, a alta do petróleo ajudou a separar a Petrobras do restante das “blue chips”.
Enquanto Vale e os grandes bancos recuaram, os papéis da estatal acompanharam a recuperação da commodity.
Os papéis preferenciais da Petrobras subiram 2,8%, enquanto, na direção oposta, Vale recuou 1,7% e Itaú caiu 1,3%.
A mudança em relação à sessão anterior veio depois de o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmar na Assembleia Geral da ONU que Teerã não se renderá à pressão dos EUA, embora tenha defendido a diplomacia.
A declaração veio um dia depois de Donald Trump dizer, no mesmo palco, que tinha uma “grande decisão” a tomar entre chegar a um acordo com o Irã ou “aniquilar” o país.
A possibilidade de uma negociação, que havia ajudado a derrubar o petróleo na terça-feira, parece ter ido por água abaixo.
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