Trump recusa prorrogar prazo para acordo com Irã após 60 dias
O presidente Donald Trump afirmou que os EUA não vão prorrogar o prazo de 60 dias do memorando de entendimento com o Irã para negociações de paz, que venceu nesta segunda-feira (17).
Trump disse que Teerã quer um acordo, mas não aceita os termos exigidos por Washington. "Eles querem fazer um acordo, mas não vão fazer o tipo de acordo que considero necessário " , declarou o presidente a jornalistas no Salão Oval.
O memorando não atingiu objetivos como a reabertura do estreito de Hormuz, o fim do programa nuclear iraniano e um acordo de paz definitivo. Trump exige um cessar-fogo que encerre o programa nuclear do Irã, enquanto Teerã defende a continuidade de um programa de energia nuclear.
O memorando assinado em junho estabelecia o prazo de 60 dias, vencido nesta segunda-feira, para que os dois países chegassem a um acordo de paz definitivo.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã também descartou novas conversas com os EUA. Esmaeil Baqaei, porta-voz da pasta, afirmou: "Não iniciamos nenhuma negociação, e os EUA violaram o entendimento desde o início; portanto, a questão dos 60 dias não é relevante " .
O tráfego no estreito de Hormuz caiu enquanto a passagem marítima permanece no centro da disputa. Dados da Marine Traffic apontam queda de 19,5% nas travessias em relação à semana anterior.
Dos 95 navios que cruzaram o estreito no período, 51 usaram a rota definida pelo Irã e 44 seguiram por outros caminhos. O preço do barril de petróleo estava perto de US$ 84, alta de cerca de 3% em uma semana.
Trump afirmou que os EUA controlam o estreito por meio de um bloqueio naval. O Comando Central dos EUA informou ter redirecionado 64 navios comerciais desde meados de julho.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o governo prepara novas medidas contra a economia iraniana. "Vamos aplicar medidas como nunca foram vistas na história do isolamento econômico de um país " , afirmou em entrevista à Newsmax.
Baqaei declarou que os EUA se prenderam a um "atoleiro" no Oriente Médio. Ele aconselhou Washington a deixar a região antes de se envolver ainda mais.
O governo do Irã planeja adotar uma postura militar totalmente ofensiva a partir de agora. A decisão ocorre após as conversas para encerrar a guerra com os Estados Unidos travarem e o prazo do cessar-fogo terminar.
Teerã ameaça realizar um ataque militar para romper o bloqueio naval dos EUA se a diplomacia falhar. Um alto funcionário iraniano afirmou à agência Reuters que o país está pronto para agir no estratégico Estreito de Hormuz.
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