Cepal: incerteza por tarifas dos EUA deve atingir economias latinas 'um pouco mais'
A incerteza desencadeada no comércio mundial pelas tarifas impostas por Donald Trump deve atingir "um pouco mais" as economias latino-americanas em 2026, indicou à AFP nesta segunda-feira o secretário-executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), José Manuel Salazar-Xirinachs.
O secretário-executivo da Cepal ressaltou em entrevista à AFP que a política tarifária adotada pelos Estados Unidos "afetou vários países da América Latina", mas também "atingiu outros países concorrentes, então o efeito líquido não foi tão negativo". O impacto "não foi tão negativo em 2025, mas esperamos que em 2026 ele possivelmente seja um pouco maior" na região.
As tarifas criam dificuldade para alguns países, porém, mais além de casos pontuais, seu "ziguezague" se soma à "incerteza", uma situação também alimentada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, disse o secretário.
Salazar-Xirinachs destacou que, apesar da situação complexa, a economia global permaneceu "relativamente resiliente", graças, em parte, ao boom de investimentos em inteligência artificial.
A Cepal vai anunciar nesta semana novas projeções econômicas para 2026 e 2027 relacionadas às economias da região, que deve enfrentar nas próximas décadas o envelhecimento da população "ao dobro da velocidade observada na Europa", destacou em Montevidéu o chefe da Cepal.
Estima-se que haja em 2026 101 milhões de pessoas com mais de 60 anos na região, o que representa cerca de 15% do total. Até 2050, a previsão é de que 25% da população esteja nessa faixa etária.
O aumento do investimento em redes de assistência e a criação de novos postos para maiores de 60 anos no mercado de trabalho são alguns dos desafios para a América Latina, pontuou o economista. Enfrentar o envelhecimento da força de trabalho vai exigir investimento em inovação, acrescentou.
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