'Parabéns pra você' ajuda a explicar amizade das torcidas de Fla e Cruzeiro
Adversários nas oitavas de final da Libertadores, Flamengo e Cruzeiro têm um histórico de amizade entre as torcidas, com direito a "parabéns pra você" ao rival e recepção de mascote em aeroporto. Em campo, as equipes empataram em 1 a 1 no Mineirão. Um novo empate leva a decisão da vaga para os pênaltis.
Os laços entre rubro-negros e cruzeirenses começaram nos anos 80, em meio ao crescente antagonismo do Fla com o Atlético-MG, rival do time celeste.
No fim da década, há o surgimento da União do Punho Cruzado — uma alusão ao sinal feito com as mãos —, da qual faziam parte Torcida Jovem do Flamengo (TJF), Máfia Azul, Independente, do São Paulo, e Camisa 12, do Internacional.
Além do símbolo feito pelos integrantes, a amizade também foi construída em torno da figura estilizada de Che Guevara, um dos protagonistas da Revolução Cubana. Em 2023, o UOL mostrou como se originou a relação entre as organizadas de Fla e São Paulo .
Começou a haver composições [de torcidas de Rio e São Paulo]. Aí, surgem as torcidas mineiras e estava tendo a rivalidade entre Flamengo e Atlético-MG. E isso atraiu [Máfia Azul] para cá [Jovem Fla]. A Máfia Azul estava muito integrada. Se fosse fazer o conselho de segurança, era a Jovem, Independente, Camisa 12 e Máfia Azul, que foram as quatro que se uniram Leonardo Ribeiro, conhecido como Capitão Léo, ex-presidente da TJF
Em 1980, o time rubro-negro bateu o Atlético-MG na final do Brasileiro e, no ano seguinte, os cariocas se deram melhor na semifinal da Libertadores. As equipes voltaram a se encontrar na semifinal do Brasileiro de 87, e novamente deu Fla.
"Isso aconteceu muito em função das partidas contra o Atlético-MG [na década de 1980]. Nossa torcida recepcionava a torcida do Flamengo aqui em Belo Horizonte. A primeira torcida organizada deles que a Máfia Azul se tornou parceira foi a Raça Rubro-Negra e, posteriormente, a Torcida Jovem Fla. A Jovem foi com quem começamos a aliança do Punho Cruzado, que também envolve a Torcida Independente, do São Paulo, da qual ainda somos muito amigos", disse Éder Toscanini, o Tosca, ao site "Superesportes".
O Punho Cruzado rivalizava com outro bloco de torcidas, o "Dedo Pro Alto", da qual faziam parte Força Jovem Vasco, Mancha Verde, do Palmeiras, Galoucura, do Atlético-MG, e Torcida Jovem do Grêmio.
"Depois, surgiu ainda uma terceira dissidência, que tentou se agrupar. Eram torcidas do Santos, do Fluminense, do Corinthians e do Paraná. Aqueles que ainda não possuíam aliados tentaram criar uma base. Foi uma época geopolítica interessante, pois lembrava as brigas que ocorrem nas reuniões das Nações Unidas", contou Capitão Léo ao livro "Nada do Flamengo, Tudo pelo Flamengo", de Bernardo Buarque de Hollanda.
A estreita relação entre as torcidas de Flamengo e Cruzeiro já gerou uma cena curiosa. Em 15 de novembro de 1995, data em que o Rubro-Negro completou 100 anos de fundação, os times se enfrentaram pela semifinal da Supercopa Libertadores.
Em pleno Mineirão, os cariocas venceram por 1 a 0, com gol de Ronaldão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.