O plano que pode mudar a forma como Hong Kong governa sua economia
Em um momento inédito em sua história administrativa, a cidade de Hong Kong, que opera como território semiautônomo na China, deve assinar, até o fim de setembro,o primeiro plano quinquenal da cidade, alinhado às diretrizes de desenvolvimento da China continental. A iniciativa marca uma mudança no modelo de governança do centro financeiro asiático.
Pela primeira vez, o planejamento econômico e social deixará de depender apenas de discursos anuais de política pública e de orçamentos e refletirá uma tradição histórica em vigor na China desde os tempos de Mao Zedong, sendo o primeiro esboçado em 1953. Desde então, as decisões socioeconômicas da China continental vêm sendo tomadas com base nos planos.
O debate ganhou força após o encerramento de uma consulta pública sobre o plano para o período de 2026 a 2030, que reuniu mais de 16 mil propostas. O novo modelo busca definir prioridades estratégicas de longo prazo para áreas consideradas essenciais ao futuro da cidade.
Entre os defensores da mudança está o economista Heiwai Tang, da Universidade de Hong Kong. Segundo ele, em entrevista ao South China Morning Post (SCMP), também de Hong Kong, a ausência de planejamento abrangente contribuiu para problemas estruturais, como a escassez de moradias, a crescente desigualdade e a baixa mobilidade social.
Tang argumenta que o modelo de livre mercado laissez-faire, embora tenha gerado prosperidade por décadas, não conseguiu resolver os desafios de longo prazo. Para ele, confiar exclusivamente nas forças de mercado deixou lacunas importantes na coordenação das políticas públicas .
A adoção do plano quinquenal representa, portanto, uma ruptura com uma tradição consolidada desde os anos 1970, ainda sob o domínio britânico. Mesmo após a devolução à China em 1997, Hong Kong manteve a mesma lógica de intervenção estatal limitada.
Com o novo modelo, os discursos anuais e os orçamentos passarão a funcionar como instrumentos de implementação,ao invés de decidir o rumo socioeconômico da cidade. Dessa maneira, o plano quinquenal deverá estabelecer metas mais amplas e servir de referência para as ações de cada governo.
As autoridades pretendem publicar as contribuições recebidas na consulta pública e concluir o texto até setembro; antes da divulgação oficial, o documento passará por uma revisão interna de alto nível.
Fontes ligadas ao processo afirmam ao SCMP que a estratégia é lançar o plano antes do próximo discurso anual do chefe do Executivo. Assim, o discurso funcionaria como um documento de execução das diretrizes já definidas.
O plano está estruturado em seis pilares centrais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.