Mercado em K: Megadeals impulsionam valor, mas 'meio da pista' segue parado
Entre janeiro de 2025 e maio de 2026, foram anunciadas 74 operações de M& em algumas leituras, o número de operações menores caiu ao menor nível desde 2016.
Quem acompanhou de perto o mercado de fusões e aquisições em 2025 viu uma recuperação desigual. O ano terminou com cerca de US$ 4,5 trilhões em transações, alta de 35% sobre 2024 e o maior valor já registrado. O recorde, porém, não veio de uma multiplicação dos negócios, mas de operações maiores — e passou longe de provocar a mesma euforia no middle market.
Essa diferença ajuda a entender o cenário para 2026. Um levantamento da Mergermarket com executivos seniores de M&A mostra um mercado mais otimista com a atividade, mas ainda seletivo. As tensões geopolíticas perderam espaço entre as principais preocupações, enquanto o desalinhamento de preço entre compradores e vendedores ganhou protagonismo como obstáculo às transações.
O resultado é um mercado mais confiante, mas sem disposição para pagar qualquer preço. De um lado, grandes operações voltaram a movimentar cifras bilionárias; de outro, negócios menores continuam enfrentando uma equação mais difícil para chegar à mesa. É uma recuperação em forma de K: enquanto uma parte do mercado acelera, a outra ainda tenta destravar valor.
Os megadeals ajudam a dimensionar essa concentração. Entre janeiro de 2025 e maio de 2026, foram anunciadas 74 operações acima de US$ 10 bilhões, segundo a Bain. Entram nessa lista o LBO de cerca de US$ 55 bilhões da Electronic Arts e grandes transações envolvendo data centers, alimentos e mídia.
O problema é que esse dinheiro não se espalhou de maneira uniforme. Em algumas leituras, o número de operações menores caiu ao menor nível desde 2016.
A América do Norte manteve a liderança, com o valor das transações crescendo mais de 50% em 2025. Nos Estados Unidos, expectativas de juros menores, maior disponibilidade de dívida e um ambiente regulatório mais favorável ajudaram a destravar grandes operações.
A Europa foi a surpresa. O valor das transações avançou cerca de 27% em 2025 e, segundo a Bain, cresceu 77% no acumulado até maio de 2026. Parte do movimento vem de consolidações dentro do próprio continente, em setores como telecomunicações, indústria e serviços financeiros.
Oriente Médio e África, ainda sobre uma base menor, cresceram cerca de 65%, para US$ 121 bilhões, impulsionados principalmente pelos fundos soberanos. A Ásia-Pacífico avançou em ritmo mais moderado.
A América Latina aparece no outro braço do K. É a única grande região em que a maioria dos investidores consultados pela Mergermarket espera piora das condições de financiamento em 2026. Mais da metade prevê crédito mais caro e restritivo, combinação que pressiona avaliações e dificulta o fechamento de negócios.
Para o Brasil, vale uma leitura à parte. O país fechou 2025 com cerca de 1 877 transações, alta de 7,6%, e R$ 313,5 bilhões em valor reportado, avanço de 15,8%, segundo a TTR Data. O valor cresceu quase duas vezes mais rápido que o número de negócios.
A diferença brasileira está na força do capital doméstico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.